Rocky é um clássico de 1976, que conta a história do pugilista Rocky, um lutador de boxe desconhecido que trabalha como cobrador para um agiota, mas que vê a sua vida transformada do avesso quando recebe uma proposta do campeão mundial dos pesos-pesados, Apollo Creed, e tem a oportunidade de uma vida ao poder combater pelo título mais importante da modalidade.
Stallone escreveu o argumento em três dias e e protagonizou-o de forma soberba. O enredo é baseado no treino de Rocky para a luta com o campeão e no seu romance com a tímida Adrian, mas o mais interessante da história é a luta de alguém que sempre foi considerado um perdedor, que que procura uma oportunidade para mostrar ao mundo que é muito mais que isso.
Rocky tornou-se num sucesso de crítica e público e foi o grande responsável por tornar o Italian Stallion num ícone neste seu início de carreira (claro que mais tarde viria um outro papel preponderante...) e venceu três Oscares, Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Edição. Deu origem a cinco sequelas, Rocky II, Rocky III, Rocky IV, Rocky V e o mais recente Rocky Balboa.
Rocky é um dos melhores filmes das últimas décadas e o início de uma saga clássica que marcou gerações. É uma história de coragem e esperança, de um personagem que se tornou num símbolo de vitória e sucesso perante a mais difícil das adversidades (e quem nunca sentiu um arrepio ao ouvir "Gonna Fly Now" ou até a mítica "Eye Of The Tiger"?!). É a história de Rocky, que se confunde com a de Stallone, que vale lembrar, citando Vasco Câmara, que Stallone não o faz como nos anos 70, Stallone “é” os anos 70.
Akira é um filme de animação japonesa lançado em 1988 e considerado por muitos como um divisor de águas na história dos animes, além de ser cultuado não só por fãs do género mas por cinéfilos em geral.
Akira surgiu nas páginas da revista Young Magazine em 1980, criado pelo artista Katsuhiro Otomo. A série mostrava um futuro pós-apocalíptico depois da Terceira Guerra Mundial, em que a sociedade japonesa estava em plena decadência. Com altos níveis de desemprego, reinava a violência, com gangues de adolescentes a espalhar brutalidade nas ruas todas as noites.
Neste cenário conhecemos Shotaro Kaneda e Tetsuo Shima, amigos de infância e membros de uma gang de motoqueiros. Uma noite, após um acidente, Tetsuo começou a despertar poderes psíquicos e acaba levado pelo exército. Kaneda vai tentar salvar o amigo, mas este, enlouquecido pelos seus poderes, vai tentar libertar o psíquico Akira, causador da Terceira Guerra, e os seus caminhos vão colidir de forma explosiva.
Akira custou 10 milhões de dólares, demorou dois anos a ser concluído e era o filme japonês mais caro até aquele ano. A animação é impressionante e até hoje permanece uma referência no meio.
Foram adaptadas mais de 2000 páginas do manga, mas como o autor não tinha o final da obra decidido, este acabou por ter dois finais diferentes, no filme a história segue um rumo mais existencialista, enquanto no manga, tudo se encerra de forma mais racional.
O filme foi um relativo sucesso tanto no Japão como no resto do mundo, mas não conseguiu cobrir os seus elevados custos de produção, o que forçou vários estúdios de animação japonesa a fecharem suas portas.
Mesmo nos Estados Unidos, Akira foi visto como um produto sem público, pois era um desenho animado, mas violento demais para ser comercializado para o público infantil. Na época, o ocidente não tinha a noção de que animações poderiam também ser direccionadas ao público adulto.
Apesar disso, Akira tornou-se num fenómeno cult e abriu as portas do ocidente para os animes. Eventualmente as coisas evoluíram e a forma como o mundo via a animação também se alterou.
Akira é actualmente taxado como uma das grandes obras do cinema japonês de animação. Críticos do mundo inteiro referem-se a ele como uma obra sem igual até hoje, um filme que rivaliza com Blade Runner no que à temática Cyberpunk diz respeito e sem o qual provavelmente não teríamos fenómenos como Matrix.
Como obra de ficção científica, animação ou trabalho de crítica social, Akira continua relevante actualmente ao tratar temas como a alienação juvenil ou a corrupção na política, e, embora não sendo um filme para todos, o seu impacto cultural é tremendo.
Blade Runner, conhecido em Portugal como Perigo Iminente, é um filme mítico de 1982, realizado por Ridley Scott e protagonizado por Harrison Ford, que se tornou num dos filmes de culto mais célebres da história do cinema. A verdadeira definição de clássico.
O filme é baseado no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, de Philip K. Dick, ou PKD, lançado em 1968 e apresenta-nos a um futuro poluído, violento e profundamente exausto, onde Los Angeles é uma metrópole obscura iluminada a néon, onde a chuva nunca pára de cair.
Neste mundo espetacularmente concebido, que se tornaria nas bases do movimento Cyber-Punk (Total Recall, Robocop) e do estilo Tech Noir (Alien, Terminator), existem robôs conhecidos como Replicants, usados nas colónias extra-terrestres da Terra para fazer os trabalhos mais perigosos ou "sujos" que os humanos se recusam a fazer. Quando alguns destes andróides escapam e se dirigem para a Terra, Rick Deckard (Ford), um detetive e ex-Blade Runner (ou Caçador de Andróides) é contratado para os eliminar.
Blade Runner foi um fracasso comercial aquando do seu lançamento e sofreu fortes críticas, mesmo assim foi nomeado a dois Óscares em categorias técnicas, mas foi com o passar do tempo que o seu verdadeiro valor surgiu e hoje em dia, 30 anos depois, é aclamado como um dos melhores filmes de sempre e com grande mérito.
Com um enredo fenomenal, que nos leva a questões filsóficas sobre a humanização das máquinas ou a desumanização dos humanos (tema nada atual, diga-se), efeitos especiais incríveis e uma banda sonora genial, além de uma performance inesquecível de Harrison Ford fazem deste um Blade Runner um clássico obrigatório, que continua a fazer sonhar os fãs que esperam notícias sobre a tão aguardada sequela, prometida por Rodley Scott.
The Good, The Bad And The Ugly (vulgo Il buono, Il brutto, Il cattivo, A.K.A. O Bom, O Mau e O Vilão) é um fantástico filme italiano de 1966, o último da Trilogia dos Dólares de Sergio Leone, que inclui Per Un Pugno Di Dollari (Por Um Punhado De Dólares) e Per Qualche Dollaro In Più (Por Uns Dólares A Mais). É considerado o melhor e mais conhecido western spaghetti além de ser provavelmente o melhor western da história do cinema.
O filme passa-se na época da Guerra Civil Americana e segue a história do lendário e invencível Homem Sem Nome ou Blondie, the Good (Clint Eastwood), desta vez num bando de mais dois pistoleiros: Angel Eyes (Lee Van Cleef) e Tuco Ramirez (Eli Wallach) que procuram uma arca de 200 mil dólares em ouro roubado.
Repleto de acção e tiroteios tão míticos quanto realistas o filme foi um sucesso à escala mundial, consolidando o prestígio de Leone, e tornando Eastwood uma estrela em ascensão. Impressionante era também a banda sonora de Ennio Morricone, um habitual colaborador de Leone e que nos brindou com temas inesquecíveis como The Ecstasy Of Gold (música usada pelos Metallica como abertura dos concertos, sempre acompanhada de um mítico excerto do filme), a música-tema do filme, entre outras.
The Good The Bad And The Ugly tornou a Trilogia dos Dólares um clássico obrigatório e um marco dos westerns spaghetti, que é como quem diz filmes do velho Oeste de baixo orçamento realizados na Europa e com uma forte carga psicológica num dos géneros de culto do cinema, além de ter influenciado realizadores como Robert Rodriguez ou Quentin Tarantino, além de escritores com Stephen King na sua obra máxima The Dark Tower.
O Senhor dos Anéis é uma obra que dispensa apresentações. Os livros de Tolkien são autênticas obras primas e a trilogia de filmes que foi lançada ao público faz agora 10 anos, e que brevemente se verá aumentada com o lançamento, em duas partes, de O Hobbit, é um belíssimo exemplo da forma como é possível adaptar uma obra de tamanha magnitude e ser muitíssimo bem sucedido.
Realizados por Peter Jackson e filmados em simultâneo na Nova-Zelândia, os três épicos filmes são considerados como um dos maiores e mais ambiciosos projectos do cinema. Com um orçamento de quase 300 milhões de dólares, quase 2 kilómetros de filme usados (fora aquele que não foi usados que tem números muito maiores...) este projecto demorou oito anos até estar concluído e imediatamente após o seu lançamento tornou-se num autêntico marco da cultura pop contemporânea.
A trilogia foi um sucesso estrondodo tanto para o público como para a crítica. Actualmente trata-se da sexta série de filmes mais rentável de todos os tempos, com quase 3 bilhões de dólares em todo o mundo, e os três filmes têm, entros outras dezenas de prémios, 17 Óscares (sendo que 11 deles foram ganhos por O Regresso Do Rei que, juntamentee com Ben-Hur e Titanic, é o filme com mais Óscares ganhos).
Com o lançamento de O Hobbit, previsto para o final do próximo ano, espera-se que a saga volte a tornar-se num assunto de topo e que gere uma nova vaga de fãs que se venha a render ao fantástico mundo criado pelo génio JRR Tolkien.
Pulp Fiction, a obra-prima de Quentin Tarantino, foi lançado em 1994 e graças à sua mistura de humor e violência, cultura pop e história não-linear, depressa se tornou num dos melhores filmes dos últimos vinte anos e consagrou Tarantino como um dos melhores realizadores do nosso tempo.
O enredo segue três histórias diferentes que se interligam de uma forma genial ao longo do filme. Com nomes como John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, ou Bruce Willis, que vivem os dois míticos assassinos profissionais, a esposa do gangster que os lidera e o boxer que o desafia, à frente de um elenco fantástico que conta também com Maria de Medeiros e com o próprio Tarantino.
Pulp Fiction foi um dos maiores fenómenos da década de 90 e rendeu mais de 200 milhões de dólares apenas nos EUA, foi nomeado para 7 óscares, incluindo melhor filme e ganhou vários prémios pelos festivais de cinema por onde passou.
O seu estatuto de clássico incontornável do cinema não foi ganho ao acaso.
Braveheart, ou o Desafio do Guerreiro em português é um filme épico realizado e protagonizado por Mel Gibson que conta a história de William Wallace e a sua luta pela independência da Escócia, contra a tirania do rei Eduardo I de Inglaterra.
Se nunca viram esta obra prima, este é um daqueles filmes que não desapontam. Podem dizer que não é propriamente correcto em termos históricos, mas isso não tira o brilhantismo da actuação de Mel Gibson como Wallace, ou de Patrick McGoohan como Rei Eduardo, apenas para citar estes dois. As batalhas estão retratadas de uma forma impressionante e a carga emotiva do filme é enorme.
Braveheart ganhou 5 óscares da Academia, incluindo melhor filme e melhor realizador, além de ser já considerado um clássico e um dos melhores filmes jamais feitos. Depois de Braveheart, a palavra liberdade ganhou um novo sentido.
Back To The Future (Regresso Ao Futuro) é o primeiro filme de uma das mais inesquecíveis trilogias do cinema. Os filmes marcaram uma geração e continuam a ser muito populares, até porque há muitos fãs que ainda esperam pelos famosos "hoverboards" que existiam no ano 2015 no segundo filme.
Para quem não se recorda, os filmes seguem a história de Marty McFly (Michael J. Fox) que é acidentamente enviado para o passado na mítica máquina do tempo sob a forma de um DeLorean DMC-12 criada pelo Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd), e a sua luta para fazer com que os seus pais se apaixonem enquanto tenta "voltar ao futuro". No segundo filme Marty viaja até ao ano 2015, enquanto no terceiro ruma ao Velho Oeste.
Regresso Ao Futuro foi um sucesso absoluto com o seu misto de ficção científica, comédia, aventura e o facto de contar com cenas como McFly a tocar Johnny B. Goode na festa da escola com aquele solo de guitarra fenomenal que continua a ser uma das mais marcantes do cinema fazem com que continue a ser muito divertido de ver!
Para comemorar os 25 anos do lançamento do primeiro filme, a Fox decidiu refilmar o lendário teaser original do filme, e se são fãs do filme de certeza não ficarão indiferentes.
El Mariachi é um filme de acção de 1992, o primeiro da carreira de Robert Rodriguez. É um filme de baixo orçamento e foi feito de forma quase amadora, mas teve um enorme sucesso e viria a dar origem a duas sequelas: “Desperado” e “Era Uma Vez No México”. Todos os filmes da “Trilogia do México” foram escritos, produzidos e realizados por Rodriguez.
El Mariachi conta a história de um músico (neste primeiro filme interpretado por Carlos Gallardo, nos restantes por Antonio Banderas) que viaja pelo México à procura de trabalho. Ao chegar a uma pequena cidade é confundido por um assassino que usa uma guitarra cheia de armas. El é ajudado por uma rapariga por quem se apaixona, mas quando esta é morta à sua frente e a sua mão é ferida de forma a incapacitá-lo de tocar guitarra, ele passa oao ataque e consegue vingar-se. Agora com os sonhos de ser um mariachi desfeitos, El continua a vaguear pelo México com a guitarra do assassino por quem foi confundido.
“Desperado” foi lançado em 95 e conta com Antonio Banderas, Salma Hayek, Joaquim de Almeida, Danny Trejo, Quentin Tarantino, entre outros no elenco e continua a história de El Mariachi e a sua busca por vingança.
Em 2003 foi lançado “Once Upon A Time In Mexico”, o capítulo final da trilogia, com Antonio Banderas, Salma Hayek, Johnny Depp, Mickey Rourke, Eva Mendes, Danny Trejo, Enrique Iglesias e Willem Dafoe, entre outros no elenco. Mariachi tenta salvar o Presidente do México de um golpe de estado provocado pelo homem que matou a sua mulher e filha.
Inspirado pelos westerns de Sergio Leone, de onde se destaca “O Bom, o Mau e o Vilão”, a trilogia de El Mariachi é um espectáculo de acção e comédia, num ritmo sempre explosivo e divertido, que recomendo a todos os que gostam do género. Além disso é mais um episódio da sempre fantástica colaboração entre Quentin Tarantino e Robert Rodriguez! Fiquem agora com um vídeo da música do Mariachi!
The Matrix é um filme que estreou nos cinemas no ano de 1999 e foi realizado pelos irmãos Wachowski, que tentaram com ele trazer o chamado “animé” japonês para o grande ecrã e conta com Keanu Reeves no papel principal.
O filme retrata a guerra dos humanos por volta do ano 2200 para se libertarem das máquinas que dominam o seu mundo desde a sua criação no início do séc. XXI. Ficamos a saber que num último recurso para derrotar as máquinas, a humanidade cobriu a luz do Sol para deixar as máquinas sem energia, mas elas adoptam uma solução radical: como cada ser humano produz, em média, 120 volts de energia eléctrica, começam a cultivá-los em massa como fonte de energia. Para tornar o cultivo eficiente, os seres humanos passaram a receber programas de realidade virtual, enquanto seus corpos permaneciam nos campos de cultivo. Essa realidade virtual, um programa de computador ao qual todos são conectados, chama-se Matrix e simula a humanidade do final do século XX. Ainda sobrevive, no entanto, perto do calor do centro da terra, uma última cidade de seres humanos livres, que fazem o que podem para combater as máquinas. Um dos líderes é Morpheus, um visionário que acredita que um dos habitantes do Matrix é o Escolhido, aquele que, como profetizado acabará com a guerra e salvará a humanidade.
Este primeiro filme da trilogia relata a forma como Morpheus e Trinity, a sua soldado mais fiel, encontram Neo e o libertam da “prisão” que é o Matrix e o percurso que este terá de percorrer até se tornar no Escolhido para libertar a raça humana das máquinas.
The Matrix é notório pelas suas inovações nos efeitos especiais e na acção, tendo como imagem de marca a chamada “slow motion”, a forma como as imagens de projéteis se deslocavam em ondas em câmara lenta. O filme é repleto de mensagens subtis, entre as quais se destaca aquela de que as máquinas jamais controlarão o homem, pois o comportamento delas é baseado em programas e programas podem ser entendidos pela complexa mente humana que transcende a lógica.
The Matrix foi escrito como uma trilogia (The Matrix, Matrix Reloaded, Matrix Revolutions), porém apenas o primeiro filme foi bem sucedido. A continuidade da história não agradou nem à maioria do grande público nem à crítica, mas há quem considere no entanto a trilogia inteira uma obra-prima.
O universo Matrix é uma obra de arte multimédia e a sua história inteira está presente nos 3 filmes, em 9 filmes animé, chamados no seu conjunto Animatrix, em BD’s lançadas nos EUA e nos videojogos Enter the Matrix e The Path Of Neo, mas há sempre quem ache que falta ainda qualquer coisinha para ficar completa.
The Matrix é um verdadeiro cocktail de vários elementos: filmes de ficção científica (como The Terminator), animés (Akira, Ghost in the Shell), filosofia (Platão, Descartes), religião (Budismo, Messianismo Judaico-Cristão), informática (Realidade Virtual, Inteligencia artificial), literatura cyberpunk (Neuromancer), entre outros e é um verdadeiro filme de culto que conquistou fãs de todas as idades.