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● The HM Chronicles XV: A Cara Da Banda

01 novembro, 2010 5 Comentários
Sejam muito bem-vindos a mais uma fantástica HM Chronicle, hoje para comentar um fenómeno sempre interessante no mundo musical que todos adoramos: A Cara Da Banda!


Na grande maioria dos casos, quando uma banda se torna bastante conhecida e popular, as pessoas em geral apenas conseguem identificar um membro do grupo, normalmente o vocalista, nalguns casos o guitarrista, outros exemplos são mais raros.

É verdade que por vezes isto acontece mesmo com aqueles que se intitulam fãs da banda, e isto pode acontecer por várias razões:
Normalmente no Rock não se encontram muitos artistas a solo por si só (serem ex-membros de banda conhecidas é o mais comum), e esses que existem são apenas a excepção que confirma a regra. Algo que se encontra bastante são cantores que fazem parte de uma banda que é na realidade o seu projecto solo, e nesses casos é recorrente que o dito cantor componha todas (e mesmo todas) as músicas e dite a forma como devem tocar em estúdio, tornando os restantes músicos (quase descartáveis) apenas parte das tournées, conquistando desta forma a sua relevância.

Também pode acontecer que numa banda com vários anos de carreira, todos os membros originais já tenho desistido do grupo, deixando apenas um deles ainda presente. Mesmo que essas saídas sejam amigáveis e não ocorram num curto espaço de tempo, é frequente que o dito membro original tenha pouca paciência para os novos integrantes e os despedimentos se tornem frequentes, tornando-se na cara da banda.
Há muitos exemplos deste tipo por aí e não é preciso pensar muito para identificar alguns *cough Guns cough Roses cough*.

Outro caso muito comum ocorre nas bandas que possuem um membro do sexo feminino, quer esta seja a vocalista ou não.
Mesmo que as situações anteriores se apliquem neste cenário, é comum que "a menina" seja pelo menos a segunda cara da banda, podendo mesmo roubar o protagonismo do líder em casos mais ou menos pontuais, dependendo do seu grau de beleza.
Dependendo do grau de "estabilidade" que uma banda nestas condições possua, o seu destino mais provável é ser desfeita e a sua Cara partir numa carreira a solo, enquanto os restantes integrantes caem no esquecimento. Destinos diferentes são menos frequentes.

Claro que há muitos casos em que uma banda não se reduz a um elemento e os seus "contratados", ou à banda da "miúda gira", pois também há casos em que estas condições são perfeitamente compatíveis, sem comprometer a qualidade musical, deslocando-se um bocadinho daquilo que muitas vezes os media tentam impingir, que infelizmente é cada vez mais baseado em casos deste tipo.
É tudo por hoje! Até à próxima e "Keep it Metal!" ‎\m/Ò_ó\m/

Podem ler as restantes crónicas desta rubrica AQUI.

● The HM Chronicles XIV: Cópia ou Original?!

11 outubro, 2010 6 Comentários
Estou de volta com as HM Chronicles para vos falar de um fenómeno sempre interessante no mundo da música, em particular no mundo do Rock: as Covers!


Se uma música foi gravada por um determinado artista, mas depois por um outro tipo qualquer, então o que este tipo acabou por fazer foi uma Cover da música original. É comum serem feitas por músicos conhecidos em homenagem a outros mais antigos e consagrados e pelas mais diversas razões.

O que pode acontecer a partir daqui, e acontece várias vezes, é que a nova música torna-se tão popular e icónica, que as pessoas tendem a esquecer a música original, ou pior, quando o artista que escreveu a dita música a volta a tocar, esta é considerada a cópia e não a original, o que normalmente termina com uma certa irritação por parte do autor.
Este fenómeno acontece sobretudo quando a música regravada é já bastante antiga e o público que ouve a nova versão não conhece a original, pelo que a banda em vez de fazer uma homenagem, está a "roubar" o prestígio do autor, e nem sempre são céleres a repô-lo.

Uma variante deste fenómeno é quando uma música é escrita para a banda sonora de um filme, mas acaba por se tornar tão popular que o filme fica conhecido por ter a dita música, quando deveria acontecer o oposto...

Independentemente destes fenómenos ocasionais, na música as bandas são sempre influenciadas por grupos mais antigos, e é comum que os mais novos mostrem as suas influências. Muitas vezes, o que acaba por acontecer é que essas versões são compiladas num álbum de covers, que pode ser gravado apenas por uma banda, ou por um conjunto de bandas que se reúnem. Este fenómeno ocorre para celebrar alguma data especial, ou apenas para diversão pura do grupo.

Basicamente há dois tipos de Álbuns de Covers:
Álbum de Tributo: Neste tipo de álbuns, várias bandas gravam as suas versões das músicas e no final são compiladas num único álbum de homenagem;
Tributo de Artista: Neste álbum uma banda grava todas as versões de várias bandas que a influenciam ou as quais admiram.

A Cover é uma das melhores formas de homenagear as bandas veteranas do panorama musical, e quando algo deste género acontece normalmente também significa qualidade implícita no trabalho, por isso estejam sempre atentos a Tributos que encontrem por aí! Have fun!

Podem ler as restantes crónicas desta rubrica AQUI.

● The HM Chronicles XIII: Presa No Ouvido

06 setembro, 2010 5 Comentários
As HM Chronicles regressam para falar de um dos fenómenos mais chatos (ou não, depende do ponto de vista) do mundo do Rock (e da música em geral), que ocorre quando a música fica Presa No Ouvido!


Este fenómeno acontece quando uma música, indesejadamente ou não, é ouvida por alguém. A partir desse momento, as coisas mudam. Definitivamente. Estas músicas são altamente pegajosas e não mais vão deixar de atormentar o ouvinte, por mais que ele grite, proteste ou bata com a cabeça nas paredes (se persistir nesta opção até pode resolver o problema, mas não é uma solução recomendada...). Depois de ficar presa, não mais se soltará, a não que apareça nova música para a substituir.

Os infectados por este problema encontram-se muitas vezes por aí, a correr de um lado para o outro e a tapar constantemente os ouvidos, estão constantemente distraídos nas suas conversas casuais e não conseguem parar de trautear o refrão da música “maldita”. A sua vida social pode sofrer consequências devastadoras!
A Internet é um óptimo meio de encontrar canções deste tipo (se estiverem interessados em sofrer desta condição...). Muitas paródias de músicas e coisinhas feitas apenas no gozo podem ser irracionalmente cativantes, ou irritantes...
Alguns “sucessos” são os jingles dos anúncios, música dos videojogos, e principalmente e infelizmente, a maior parte das músicas que estão no “Top” num determinado momento e que não param de passar na rádio, por mais que uma pessoa tente acaba sempre por ouvi-las, é impossível escapar-lhes (não me digam que antes e durante o mundial não ficaram fartos de ouvir a “I’ve Got A Feeling” e terem constantemente essa música do Dêmo a pairar nas vossas cabeças, ouvir toda a gente a falar nos feelings que tinha e coisas do género?! Ainda tenho pesadelos com isso de vez em quando)...

Bem, mas lá porque uma música fica presa no ouvido, isso não quer obrigatoriamente dizer que a dita música é má. De facto uma música fantástica pode ser tão pegajosa como uma não fantástica. E ainda mais, uma música pode ser fantástica por ficar presa no ouvido e também pode ficar presa no ouvido por ser justamente fantástica, até que uma pessoa se farta e então deixa mesmo de ser fantástica! Confusos?! Eu também fiquei quando li isto mas não consigo explicar de outra forma, apenas vou dar um exemplo:
Queen - Don't Stop Me Now...

O blog The Grand Chaos desculpa-se desde já aos seus leitores mais influenciáveis que depois de serem recordados destas variantes musicais, se sentiram impelidos a ouvi-las e estas se tenham alojado nos pobres cérebros novamente. Para tentar aliviar o vosso sofrimento... ou êxtase, vou apenas colocar aqui alguns exemplos, sem providenciar links directamente. Se de facto não conseguirem resistir à tentação de ouvir determinada música, procurem no YouTube. Não me responsabilizo pelas consequências que as próximas linhas podem trazer os leitores.

Aqui fica então uma pequena lista de musiquinhas de qualidade que numa altura ou noutra já devem ter ficado presas nos vossos ouvidos:
AC/DC com “I’m On The Highway To Hell”, “T! N! T! I’m Dinamite!”, “Thunderstruck”, e claro “Back In Black”;
Foo Fighters e o seu “The Best! The Best! The Best Of You!”;
Iron Maiden têm bastantes músicas do género como “Fear Of The Dark”, “2! Minutes! To Midnight!”, e claro “The Trooper” com o seu “OOooOOOOooOO”;
Metallica com “Exit Light! Enter Night”, “Gimme Fuel! Gimme Fire! Gimme That Which I Desire!” em estilo cheerleader, entre outras;
Nirvana com “Memory. Memory.”, “Hey! Wait! I’ve got a new complaint!”.

Há outras músicas que ficam como por exemplo:
Afroman tem “Because I Got High, Because I Got High!”;
genéricos de séries como o Justiceiro, MacGyver, Esquadrão Classe A, ou Ficheiros Secretos;
a música do Tubarão;
a Marcha Imperial de Star Wars;
as várias músicas usadas nos filmes do Rocky Balboa, Piratas das Caraíbas, The Terminator, Missão: Impossível, Mortal Kombat, além de canções infantis como "Eu vou comer, comer, laranjas e bananas!" entre tantas outras que é melhor nem pensar em enumerar!
Se estiverem interessados em sofrimento adicional visitem o "Top 40" de uma qualquer rádio moderninha e aborreçam-se!

Agora que já recordaram estas músicas, provavelmente muitos de vocês já se arrependeram de ter lido este post, por isso posso dar o meu trabalho por concluído!

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● The HM Chronicles XII: A Ovelha Negra

09 agosto, 2010 5 Comentários
É um dos mais aguardados regressos do blogue: As HM Chronicles! Hoje para falar de um dos maiores dilemas dos grupos fãs da pesada: estará a nossa banda preferida a tornar-se comercial?!


Este acontecimento é altamente comum em bandas de Hard Rock ou Metal, que por vezes lançam uma balada e esta começa a passar insistentemente nas rádios e atingem um determinado público que não é normalmente fã do género. Tal ocorrência deixa os seus fãs mais hardcore à beira de um ataque de nervos e para sempre consideram aquele “hit” a ovelha negra da discografia da banda.

Isto pode levar a que a dita banda se torne imensamente popular e conquiste uma nova base de fãs, o que leva a que os admiradores mais antigos, que a adoravam inicialmente, comecem a odiá-la e a torcer o nariz a cada novo trabalho que seja lançado, mesmo que a qualidade inicial se mantenha. Há também casos em que essa popularidade se torna num ponto de viragem para a banda e a partir daí nada volta a ser como antes, o que é sempre um balde de água fria para os seus apoiantes.

É comum acontecer que a banda fique ligada a esse “hit” para o resto da sua carreira, o que faz com que muitos dos novos fãs apenas gostem dessa música e não queiram sequer passar perto do restante trabalho do grupo. Pode também funcionar no sentido oposto e ouvintes que poderiam gostar do estilo da banda se sintam repelidos pelo “hit” e não sintam curiosidade em conhecer outras músicas, que certamente apreciariam. Um outro caso é quando a própria banda, One Hit Wonder ou não, se farta de tal forma de ser obrigada a tocar o “hit” em todos os concertos que se revoltam e simplesmente deixam de a tocar (Revolution!).

Estes “hits” podem ser únicos na carreira da banda e contribuir para o seu sucesso sem alterar o seu espírito, mas quando os ditos fazem com que a banda se perca, a comercialidade se torna na regra geral e o espírito que caracterizava o grupo se perde, então observamos o trágico fim do talento e arte, por troca com a mediocridade e dinheiro... é triste mas acontece!

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● The HM Chronicles XI: Air Guitar

05 julho, 2010 6 Comentários
Quando muitos pensavam não ser possível, eis que o impensável ocorre! As HM Chronicles regressam para falar de uma das mais famosas e populares formas de viver o Rock e/ou Metal: Air Guitar!

Suponho que não seja preciso explicar detalhadamente o que é o Air Guitar... mas eu digo de qualquer forma!
Air Guitar consiste em fazer gestos com as mãos de forma a parecer que se está a segurar uma guitarra invisível. A maior parte dos praticantes é autodidacta, mas há quem tenha formação na matéria. Há inclusivamente variados campeonatos de Air Guitar para saber quem é o mais habilidoso. Consta que várias pessoas já venderam “Air Guitars” pelo Ebay por quantias consideráveis. Há mesmo quem venda cordas para Air Guitar (!!!). Há ainda os fãs mais conservadores que argumentam que o fenómeno está a ser substituído pelo semelhante e plastificado para consola “Guitar Hero”...

Há diversas variantes deste fenómeno musical, como a “Umbrella-Guitar” nas horas de maior instabilidade meteorológica, a “Broom-Guitar” quando estão a fazer limpezas, e outros semelhantes. A verdade é que quando passam aquelas músicas que não conseguimos tirar da cabeça, a magia acontece: começa o movimento da cabeça tecnicamente apelidado de “Headbanging”, pequenos assobios a trautear a melodia, e qualquer objecto que passe pelas mãos do ouvinte se transforma automaticamente numa guitarra que, mesmo que o utilizador não seja dotado da técnica de tocar o instrumento, não perde qualidade na hora da execução (se não passar nenhum objecto pelas mãos então é Air Guitar puro que merece ser apreciado)!
É nestas alturas em que uma pessoa está muito bem descansada com o seu mp3 no máximo, phones no ouvido, que surge um daqueles riffs de guitarra completamente geniais e uma pessoa começa a destilar o seu Air Guitar com toda a alma, mas principalmente no momento do solo, devem ter sempre algum cuidado, para que uma velhinha à vossa frente no autocarro não fique a olhar para vocês como se estivessem a ter um ataque ou coisa do género (isto aconteceu a um amigo ontem... não a mim, como é óbvio... tinha que esclarecer isto...)!

O Air Guitar não é um fenómeno exclusivo de instrumentos de cordas, pode também ser aplicado a outros tipos de instrumentos como a bateria por exemplo, mas é claro que a técnica a aplicar durante a execução vai também variar e pode não ser fácil de dominar inicialmente! Convém sempre praticar um bocadinho, mas a aprendizagem é opcional!

Este é um daqueles fenómenos que está na origem de cenas “cringe” pelas quais podemos passar com maior ou menor frequência, mas nunca se inibam de aproveitar, afinal esse é o verdadeiro espírito da liberdade e do Rock!

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● The HM Chronicles X: Escala de Peso de Rock e Metalicidade

17 maio, 2010 6 Comentários
Yeah! As The HM Chronicles chegam à Crónica X!
Para ser coerente com esta data fantástica, hoje apresento-vos a Escala de Peso de Rock e Metalicidade! Esta é basicamente uma escala que vai medir o peso encontrado nos diferentes géneros do Rock e Metal e desta forma ordená-los por níveis de valores, que podem variar de 1 até 10 (o resto dificilmente se pode considerar música...).

Como as bandas têm tendência a evoluir com o passar do tempo, os exemplos que providenciarei serão dados por músicas, mais ou menos conhecidas, para demonstrar os vários níveis da escala. Convém também identificar os vários factores que contribuirão e os critérios que seguirei para classificar os vários níveis:
A distorção (das guitarras e não só). Este é também o factor decisivo que separa o Rock do Metal. As guitarras no Metal têm aquele som "metálico" graças à distorção, por isso este factor é bastante importante;
A velocidade e o barulho são factores também importantes, pois normalmente uma música é mais calma se for tocada mais lentamente, embora haja excepções;
A violência das letras está normalmente associada ao peso da música, mas é claro que se houver duas músicas semelhantes, é mais poderosa aquela que tiver as letras mais agressivas... ou com mais berros... definitivamente os berros também são um factor importante!

No geral é mais ou menos isto:
• Nível 1: É o nível mais suave do Rock. As músicas deste nível provavelmente não possuem qualquer tipo de distorção nos instrumentos e a música em si é lenta e calminha.
Deep Purple - When A Blind Man Cries
Johnny Cash - Hurt
John Lennon - Imagine

• Nível 2: Este é o chamado Soft Rock. Quando estiverem a ouvir uma música em que não conseguem perceber se o que ouvem é uma guitarra acústica ou elétrica, provavelmente faz parte deste nível.
Metallica - Mama Said
Pink Floyd - Wish You Were Here
The Beatles - Nowhere Man

• Nível 3: Ainda nos parâmetros do Rock. Aqui o som já é um pouco mais forte, rápido ou pesado que no nível anterior, mas ainda é um som bem leve.
Led Zeppelin - Stairway To Heaven
The Rolling Stones - Sympathy For The Devil
The Who - Pinball Wizard

• Nível 4: Aqui encontramos um Rock com alguma cadência. É também possível encontrar vestígios de Punk neste nível, começa a sentir-se alguma agressividade.
Bon Jovi - Wanted Desde Or Alive
Nickelback - How You Remind Me
Queen - Another One Bites The Dust
The Rolling Stones - Satisfaction

• Nível 5: Entramos no Hard Rock. Embora ainda dentro do Rock, as músicas entram num nível mais pesado e as músicas mais calmas começam a desaparecer. As letras neste nível são já sobre assuntos muito diversos.
AC/DC - Back In Black
Aerosmith - Back In The Saddle
Deep Purple - Smoke On The Water
Led Zeppelin - Ramble On
The Offspring - The Kids Aren't Alright

• Nível 6: Nesta altura é difícil dizer se ainda estamos no Rock ou já entrámos nos parâmetros do Metal. Este é provavelmente o fim da linha para as guitarras acústicas. A agressividade começa a tomar conta do som.
Black Sabbath - Iron Man
Dream Theater - Pull Me Under
Guns N' Roses - Welcome To The Jungle
Nirvana - Smells Like Teen Spirit

• Nível 7: O Metal Clássico e o Heavy Metal encontram-se neste nível. As músicas são bastante rápidas e "barulhentas". As letras começam a tornar-se mais obscuras. Os vocais ainda são bastante melódicos.
Black Sabbath - Heaven And Hell
Iron Maiden - Fear Of The Dark
Judas Priest - Metal Gods
Motörhead - Ace Of Spades
Ronnie James Dio - Holy Diver

• Nível 8: Principalmente Thrash Metal. O som é rápido e pesado e as letras são bastante obscuras. Os gritos tornam-se recorrentes ao longo das músicas e os vocais tornam-se mais agressivos e menos melódicos.
Anthrax - Among the Living
Avenged Sevenfold - Critical Acclaim
Megadeth - Symphony Of Destruction
Metallica - Creeping Death
Pantera - Cowboys From Hell

• Nível 9: Começa a aparecer o Death Metal. As músicas tornam-se pesadas e com letras "com contornos duvidosos". Nesta altura as músicas começam a ser gritadas (ou grunhidas) em vez de cantadas.
Death - Spirit Crusher
Lamb Of God - Now You've Got Something To Die For
Pantera - Slaughtered
Slayer - Angel of Death

• Nível 10: Este é provavelmente o nível mais pesado do Death e Black Metal. As músicas são pesadíssimas e as letras muitas vezes sádicas (embora seja difícil de perceber o que o vocalista está a berrar!).
Behemoth - At the Left Hand Of God
Cannibal Corpse - Hammer Smashed Face
Meshuggah - New Millenium Cyanide Christ
Morbid Angel - The Ancient Ones

• Nível 11: Ainda mais além! Neste ponto a música é quase inaudível. É o extremo mais obscuro do Metal. Não se percebe uma palavra do que o vocalista rosn... digo berra e só os metaleiros altamente hardcore se aventuram por aqui.
Anal Cunt - You're Pregnant, So I Kicked You in the Stomach
Last Days Of Humanity - Ulcerated Offal

• Nível 12: Barulho! Neste nível não existe música. Apenas barulho. Ou estática. Nada mais.
Merzbow - Minus Zero

Notai que esta escala é produto de uma cabeça que não estava muito preocupada em procurar exemplos muito precisos, nem provavelmente os mais acertados. Agora ide e vêde em que nível da escala vos encontrais e já agora quais os níveis que suportais (ou não...).

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● The HM Chronicles IX: É Muito Metal!

05 abril, 2010 6 Comentários
Caros leitores, acham que têm tudo o que é preciso para fazer parte do grupo de elite que é o Heavy Metal?! Estão fartos que os chamem de "Posers" porque dizem gostar de Metallica, quando na realidade o que ouvem é Hannah Montana?! Querem saber o que é preciso para que as pessoas vos respeitem (LOL) quando passam por vocês na rua?!
Pois bem este é o post por que tanto esperaram! Chegou o momento de revelar os segredos mais obscuros e ficarem a saber tudo o que é necessário para se tornarem Muito Metal!!!

Primeiro que tudo, tomem em atenção à vossa imagem! Não adianta nada fazerem cara de mau se tiverem uma mochila da Hello Kitty, pois nem os putos da primária ficariam impressionados, por isso tornem-se acima de tudo assustadores!
Desde que tenham um aspecto de "Mauzão" com roupa de cabedal preto justinha, mesmo com 40° à sombra, aspecto desprezível e estiverem de headphones colocados, ninguém vai querer saber se é Carnaval e são malucos dessa cabeça ou se estão a ouvir músicas românticas ou sobre cachorrinhos, eles vão passar para o lado oposto do passeio, mesmo que corram o risco de ser atropeladas, mal vos vejam ao fundo da rua.
Têm também que fumar. Substâncias ilegais sobretudo. Quanto mais melhor! Só desta forma podem atingir o verdadeiro respeito. Desta forma, mesmo que tresandem a ganza e pareça que a cor natural dos vossos olhos é vermelho-sangue, nenhum polícia tentará fazer-vos o que quer que seja (em princípio mas não vos garanto, caso aconteça alguma coisa, esqueçam este blog, não leram nada!).
Quando estiverem neste nível, ganham automaticamente o poder de fazer o vosso grupo de "camaradas" vestir-se e agir da mesma forma que vocês, afinal não há nada mais seguro que andar perto de alguém que diz que é perigoso (?!).

A seguir devem criar uma banda a sério. Mesmo que nenhum dos integrantes saiba tocar qualquer instrumento e fiquem apenas a segurar a mesma nota durante a música inteira com uma distorção ultra-pesada, vão tornar-se Deuses para quem os ouvir. A juntar a esse elemento e para reforçar o estatuto de "Mauzão", vocês terão que ser o vocalista, guitarrista principal, o único compositor e liricista e obviamente o líder da banda.
Convém agora lembrar que no Metal "Mauzão" ninguém percebe aquilo que cantam, por isso, a única preocupação que devem ter é enfatizar cada momento da música de forma violenta.
"Como faço isso?!" perguntam vocês, mas a resposta é francamente simples, basta recorrer a uma da mais antigas armas que o nosso corpo possui: o Grito!
Podem aplicá-lo de várias formas, dependendo do grau de tabaco que possuem acumulado nos pulmões, podendo lançar de vez em quando um grito longo, sem palavras; gritos violentos nalgumas partes da música, tal como refrões, sendo que no resto aplicam uma voz cavernosa, que vos obrigará a beber três litros de água entre cada música.
Podem ainda gritar a música ou grunhir agressivamente, mas para escolherem a mais adequada forma de "cantar", comecem por se basear no número de cigarros que fumam (se não fumarem nem vale a pena tentarem!).

Depois de terem a vossa banda com todos os elementos no sítio, têm que pensar num nome. O nome em si é irrelevante, mas o que verdadeiramente interessa é o Ümlaut!!!
Se tiverem um Ümlaut no nome vão ser automaticamente Muito Metal, não interessa se a banda se chama "Äs Pömbïnhas Bräncas Dä Prïmavëra", ou outra coisa qualquer amaricada.
Com o Ümlaut, fica tudo a soar a Germânico, se soa Germânico é mais assustador e se é assustador é Metal!

Agora só falta trabalhar os vossos gestos Muito Metal. Já têm tudo o que é necessário excepto o poder do "Devil-Horn". O icónico "Devil-Horn", tornado popular pela provável melhor voz de sempre do Metal, Ronnie James Dio, não é para qualquer um. A maior parte das pessoas pensa que o "Devil-Horn" é apenas levantar os braços, e fazer o gesto equivalente a lançar uma teia à Homem-Aranha, o que não é de todo verdade. Há toda uma ciência por trás do "Devil-Horn", como podem comprovar pela imagem abaixo:

Agora caros leitores, já sabem tudo o que é necessário para não mais serem chamados de "Posers". Sigam estes passos rigorosamente e dentro em breve se tornarão Muito Metal.
Agora vão, e que Dio esteja convosco!

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● The HM Chronicles VIII: Sempre A Rasgar

15 março, 2010 5 Comentários
Em contraste com a última crónica, hoje vou falar de um fenómeno que surgiu com as bandas que se revoltaram contra a Rockalhada Épica! Para estes rebeldes só uma coisa importa: estar Sempre A Rasgar!

O fenómeno Sempre A Rasgar surgiu com as bandas Punk dos anos 70, que se insurgiram contra as bandas de Rock psicadélico e progressivo, adeptas da Rockalhada Épica. Para estas novas bandas, a música devia ser tão simples e crua quanto fosse possível! O Rock devia ser um protesto contra a sociedade ou então apenas partir tudo, e qualquer pessoa devia poder fazer isso, não apenas os doutorados em solos de 26,56 minutos, ao ritmo de 5607829 notas por minuto e com um milhão de mudanças de ritmo antes do final!...

De facto, para os fanáticos, qualquer coisa mais complicada do que algo que um puto de 10 anos consiga tocar no quarto não deve ser considerada música! Se tentarem tocar algo mais complexo que isso, então provavelmente vão ter de recorrer aos serviços de uma editora que corromperá o vosso espírito revolucionário e que destruirá a vossa alma artística... E ninguém quer isso! Usar equipamento mais caro que algo que o mesmo miúdo não possa comprar é sinal de fraqueza e retira-vos da Elite artística revolucionária! Eventualmente, como normalmente acontece, as bandas tinham de sobreviver e foram-se rendendo à indústria que tanto desprezavam, o que para os fãs “já não era aquela coisa"...

Bandas como Ramones, Sex Pistols, etc. são conhecidas por tocarem músicas que poucas vezes possuem mais que 3 acordes e que raramente ultrapassam a barreira dos 3 minutos. Acabaram por criar música que não tem qualquer tipo de rodeios, qualquer pessoa pode ouvir, tocar e sentir, em contraste com o que se produzia antes, que só os fãs mais fervorosos conseguiam ouvir até ao fim sem adormecer...
Para eles, mais que a música, interessava a atitude! Interessava tanto que, segundo reza a lenda, o baixista original dos Sex Pistols, Glen Matlock, foi despedido por se preocupar demasiado com a música e descurar a atitude. Tanto que o seu substituto Sid Vicius é conhecido por... atitudes... mas também pelo facto de não conseguir tocar duas notas seguidas!
Um outro exemplo é o conhecido poder em palco dos Ramones, em que a única pausa entre as suas músicas era o mítico “1, 2, 3, 4”! É o Sempre A Rasgar em toda a sua glória!

Este é um fenómeno algo cíclico, tanto que no princípio dos anos 90 aconteceu algo semelhante com o surgimento do estilo Grunge. Revoltados com a música exageradamente “embelezada” (eu diria mais amaricada) das bandas de “Hair Metal” e Glam que se diziam Hard Rock dos anos 80, apresentaram um estilo manifestamente mais simples e menos produzido, que quando tocado ao vivo era algo, no mínimo, interessante de ver... sobretudo Nirvana!
Depois veio o sucesso e as bandas que primeiro eram fixes passaram a ser admiradas por toda a gente...
E assim deixavam de ser fixes... Kurt Cobain ficou tão deprimido com este fenómeno, que se acredita que este sentimento tenha contribuído para o final trágico que todos conhecemos...

O Sempre A Rasgar surgiu como protesto e como protesto se mantém hoje em dia... Pelo menos no início... Enquanto as bandas não se venderam aos terríveis monstros conhecidos por "Editoras Discográficas"! Para todos os seus adeptos, por favor resistam à tentação de serem ricos e famosos! Sejam artistas! Continuem a ensaiar nas vossas garagens com o verdadeiro espírito do Rock e acima de tudo Sempre A Rasgar! As editoras são más! O dinheiro é mau! A fama é má! A vossa mãe é...

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● The HM Chronicles VII: Rockalhada Épica

08 fevereiro, 2010 5 Comentários
Hoje regresso com as HM Chronicles, e decidi falar de um dos fenómenos mais incríveis a que é possível assistir no mundo do Rock e que se pode considerar um dos maiores momentos da vossa vida, no caso de gostarem, ou uma seca monumental que vos provoca um certo mal-estar na zona dos intestinos no caso de não gostarem: A Rockalhada Épica!

A Rockalhada Épica é um fenómeno durante o qual uma determinada banda (ou no caso das bandas de rock psicadélico dos anos 60 e do rock progressivo dos anos 70, TODAS!!!) lança músicas absurdamente longas, podendo tocar 5607829 notas por minuto ou não e mudam de ritmo um milhão de vezes ao longo do petardo.
Bandas como Dream Theater, King Crimson, Pink Floyd, Tool, Yes, entre tantas outras, tocam deliberadamente músicas enormemente complexas, quase impossíveis de reproduzir uma segunda vez, onde a única coisa que importa é a técnica superior, sendo que o resto é secundário, incluindo por vezes as letras... claro que há excepções onde de facto existe letra aqui e ali... mas o instrumental é claramente o ponto forte...
Se este processo for bem feito, principalmente em concertos, é algo memorável e que cativa o público, levando-o a uma espécie de nirvana musical, mas há também o outro lado em que o exagero é levado ao extremo... ou então apenas corre mal! Quando isto ocorre o público pode exibir sintomas de cansaço crónico, dores de cabeça de uma gravidade extrema, náuseas, e coisas assim... Há quem diga que o único propósito destas músicas era deixar um ou dois músicos no palco a fazer solos como se não houvesse amanhã durante 20 minutos, para que os restantes pudessem ir à casa de banho ou deixar as groupies fazer o servicinho delas...

Como aparentemente este epicismo mais extremo se tornou difícil de engolir, eventualmente nasceu o Punk, que é o completo oposto deste fenómeno, onde as músicas são curtas, com apenas dois ou três acordes, que qualquer pessoa consegue tocar, ritmos simples e letras com que as pessoas se identificam facilmente.

Uma outra forma de Rockalhada Épica, e esta talvez aquela que é mais notada é o Riff Épico!
Este Riff é aquele pequeno (por vezes nem tanto) conjunto de acordes no qual se baseia toda a construção da música, e que é imediatamente reconhecido pela generalidade das pessoas, mesmo aquelas que não conhecem o género de música onde este está inserido. As pessoas podem não conhecer o nome da banda, nem mesmo o nome da música, mas conseguem trautear o riff e quando lhes é mostrada a resposta, é certo que a reacção delas será do tipo: "É essa toda!"

Alguns exemplos desses riffs podem ser os seguintes:
Metallica - Enter Sandman;
Iron Maiden - The Number Of The Beast;
Quase todas a músicas de AC/DC se encaixam aqui;
Nirvana - Smells Like Teen Spirit ou Come As You Are;
Guns N' Roses - Sweet Child of Mine;
Led Zeppelin - Stairway To Heaven;
Deep Purple - Smoke On The Water;
Rolling Stones - Satisfaction;
Os Beatles têm várias músicas deste tipo;
Pink Floyd - Another Brick In The Wall;
Europe - The Final Countdown;
Survivor - The Eye Of The Tiger;
entre tantas outras...

Podem sempre pesquisar estas músicas para ver se tenho ou não razão! Mesmo que alguns destes nomes não vos digam nada assim de repente, depois de as ouvirem vão agradecer-me (eu também aceito donativos).

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● The HM Chronicles VI: O Poder do Rock

11 janeiro, 2010 5 Comentários
The HM Chronicles estão de volta, hoje para dar a conhecer ao mundo o maior poder que nele existe, bastante fácil de encontrar e o único que subsistirá em tempos de crise: o Poder do ROCK!!!

É verdade, quando o mundo está sob a mira de um poder altamente poderoso e maligno, quando as armas dos comuns mortais nada podem contra tal ameaça, só há algo capaz de pará-lo. É verdade que o Poder do Amor e o Poder da Amizade podem dar uma ajuda, mas o trunfo mais importante do Herói é o Poder do Rock!

Por qualquer razão ainda por explicar, a arma mais eficaz, quando se trata de derrotar as forças do Mal é a música.
Quando o Herói de uma determinada história se encontra numa determinada batalha contra o seu arqui-inimigo, esta tende a tornar-se altamente climática, com o Herói destinado a ficar numa situação complexa em que não seria possível obter a vitória em condições normais, e é nessa altura que ocorre um momento crucial: surge um som de background que se acentua consideravelmente (podendo ser combinada com slow-motion, para dar ainda maior espetacularidade à cena) até se tornar no interruptor que activa todo o poder oculto do Herói, que desta forma e com este novo poder elimina o Vilão e salva o Universo de um fim que parecia traçado.
Eu poderia chamar a isto o Poder da Música, mas tendo em conta que em 99,999% dos casos o Rock And Roll é o género utilizado para o efeito acho que esta nomenclatura é mais correcta! O Rock tem um som mais alto e teatral, o que o torna muito mais poderoso. É de notar ainda que normalmente esta banda-sonora é associada ao Vilão enquanto provoca a sua quotidiana destruição. Apenas o Herói que seja Badass por Natureza (ou o sempre popular Anti-herói) controla o Poder do Rock no seu dia-a-dia. O Herói bonzinho possui normalmente um som mais Pop na sua banda sonora e apenas em situações de stress extremo isto é alterado.

As habilidades e a força de uma personagem são directamente proporcionais a quão espetacular a sua banda sonora é (naturalmente quando mais alto e repentino for a guitarrada, mais épica é a porrada que se está a preparar...), tal como quanto mais poderoso for o Vilão, mais pesada terá de ser a música no momento da sua derrota (porque nem o mais maléfico dos Inimigos consegue aguentar uma potente Rockalhada).
Claro que se o Herói for um verdadeiro Badass tem direito a um mítico e operático coro gregoriano altamente gótico, e se for ainda mais Badass terá o Poder Último: o Riff de Heavy Metal que proporcionará um acentuado aumento de poder!
Se este for o caso, então não apenas o Herói, mas todos os Bonzinhos terão a capacidade de lutar contra o Mal de uma forma completamente impensável e a vitória fica automaticamente assegurada (mesmo que seja de forma extremamente ridícula e irreal, todas essas palermices serão perdoadas desde que o resultado final seja Lendário)!
Convém relembrar que este não é um poder que esteja acessível a todos. Existem de facto poucos exemplos de casos em que o Poder do Rock se tenha manifestado fora de filmes ou videojogos (não se compreende).

Hoje em dia os jovens ouvem cada vez menos Rock e o seu Poder está a tornar-se raro, por isso não se esqueçam que enquanto o ouvirem e se mantiverem fiéis a ele, o seu Poder estará convosco!

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● The HM Chronicles V: Grupos da Pesada

20 novembro, 2009 5 Comentários
As HM Chronicles regressam com mais um tema fracturante do mundo Rock/Metal: os fãs!

Todos sabemos que a alma das bandas são os fãs e no Rock e no Metal é talvez onde mais isso é patente. Quem é verdadeiramente fã prepara os vários concertos a que se digna ir com o mesmo empenho de um trabalho decisivo para a faculdade: decora letras e melodias de toda uma discografia, tenha ela 3 ou 30 discos!

O cerne da questão é que os fãs não são todos iguais. Há vários tipos, cada um com as suas manias e, para ficar já registado, os fãs de Metal conseguem ser muito chatos!
Eu já tinha escrito a respeito deste tema noutra crónica, mas achei que para ficar tudo direitinho e bem esclarecido devia dedicar-lhe mais algum tempo e destaque.
Vou tentar categorizar os tipos de fãs mais óbvios sem ser demasiado tecnicista e tenho a certeza que quem ler isto se irá imediatamente sentir relacionado com determinado grupo:
“Fãs que até curtem determinada banda”: este é um grupo cada vez maior que se está a tornar na regra geral dos ouvintes de música (o que não quer dizer que seja uma coisa positiva...). Estes fãs compram (melhor dizendo, sacam) os singles que ouvem nas rádios ou vêm na MTV e enchem os iPods com essas músicas. Raramente têm necessidade de ouvir um álbum inteiro pois o número de intérpretes que ouvem é quase tão grande como o número de músicas... só vão a concertos de bandas por modinha e só cantam nos refrões de meia dúzia de músicas conhecidas, não prestando atenção ao resto.
“Fãs que gostam do que ouvem”: São um grupo que é ainda bastante numeroso mas que começa a perder membros (mais fracos) para o descrito acima. Este grupo acompanha um número considerável de bandas dos quais normalmente saca os álbuns aquando do seu lançamento e, no caso de ser uma boa opção, acabam por comprá-lo apesar de já o terem ouvido. Gostam de ir a concertos e conhecem bem as músicas tocadas pelas bandas preferidas.
“Fãs veneradores d’A Banda”: Este grupo pode até ouvir um número razoável de bandas mas, há uma que veneram total e cegamente: ‘A Banda’, os seus ídolos, os seus deuses, o seu culto. Os seus quartos são autênticos templos dedicados aos seus mestres (com posters, camisolas, bandeiras, cuecas, etc.), fazem fila horas antes dos lançamentos de novos álbuns (os quais passaram os últimos 3 meses a ouvir excertos pela net), vão a todos os concertos que as suas carteiras permitirem acompanhar (mesmo que isso implique perder outros bens de maior necessidade) e para eles qualquer lixo que a banda possa produzir é uma melodia suprema que perfilará nos seus ouvidos enquanto não for lançado outra coisa qualquer.
“Fãs destruidores d’A Banda”: Se porventura poderá haver aspectos um pouco negativos nos grupos anteriores, bem este não tem absolutamente nada de positivo. Estes fãs são aqueles que acham que as suas bandas preferidas deveriam ser sempre como eles querem, o som deve ser sempre aquele que os conquistou, eles não dão a hipótese à banda para que esta amadureça e com isso amadureça também o seu som, para estes tipos, as bandas deviam parar aí pelo 2.º álbum.

Analisemos a questão mais friamente:

Este é o grupo ao qual queria chegar. Considero a relação Metallica/Iron Maiden o melhor exemplo da confusão que estes tipos podem provocar:
Estes fãs destruidores criticam Metallica por estes terem experimentado um novo tipo de som, por se terem aberto a novas experiências... Para eles os Metallica venderam-se ao mainstream e a partir do conhecido The Black Album só fizeram porcaria (tudo bem que o St. Anger é francamente... estranho... mas há músicas bastante boas nos álbuns pós-Black)! Para eles a banda devia: ou ter parado e nunca ter lançado mais nada, ou manter-se sempre no mesmo som, produzir álbuns cópias de si próprios até ao fim dos tempos...
Isto podia ser um ponto de vista “razoável”, uma opinião que vale tanto como qualquer outra, mas o mesmo idiota que diz barbaridades destas não devia vir depois criticar Iron Maiden por ser terem mantido fiel ao seu estilo durante os quase 35 anos da sua história! Por mais contraditório que possa parecer, os mesmos que criticam os Metallica por alterarem o seu estilo, vêm depois criticar os Maiden por o manterem e este paradoxo é o que os torna nos fãs mais chatos que podem existir!
Além disso este é provavelmente o único grupo de fãs que não permite outro ponto de vista que não o seu, por mais estúpido que seja e quando isso acontece é provável que esses cabeludos arranquem as próprias barbas de tanta raiva! Para eles quem não o partilha torna-se imediatamente em alguém que não merece dizer-se apreciador de música e devia ser banido deste mundo!

Felizmente este é apenas um pequeno grupo que, no entanto, consegue ser bastante chato, mas que também, como o hábito das pessoas é ver primeiro o lado negativo e não dar valor ao positivo das coisas, é aquele que a maior parte das pessoas associa quando se fala em fãs de rock, rockeiros, metaleiros, headbangers, whatever. Era bom que esta ideia se alterasse (embora isso não deva acontecer tão cedo, e muito menos com este pequeno texto!), mas por enquanto há que retirar esta pedra do sapato e atirá-la para trás das costas!

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● The HM Chronicles: IV - O Lado Metal da Vida

23 outubro, 2009 5 Comentários
Estou de regresso a este acolhedor espaço, hoje para vos falar do Rock/Metal como estilo de vida e de algo que o tem acompanhado desde o início: o preconceito.


Como é sabido por uma boa parte de vocês, principalmente por aqueles que se identificam com o tema, o Metal não é apenas um gosto musical, mas muito mais que isso. Os "headbangers” como são conhecidos, vivem intensamente a música que ouvem e tornam-na num estilo de vida nem sempre compreendido, talvez pelo seu passado cheio de sexo e/ou drogas ou pura e simplesmente porque é divertido gozar com eles. (Cabe-me também dizer que apesar disso, este estilo de vida não é um requisito. De facto eu actualmente encaixo-me na categoria de apreciador de Metal sem que isso se reflicta muito na minha aparência, salvo umas quantas t-shirts e obviamente durante os concertos, apesar de ter tido cabelo comprido durante alguns anitos...).
No entanto e ao contrário daquilo que as pessoas normalmente pensam, os metaleiros (pelo menos a grande maioria) são pessoas completamente normais com qualidades e defeitos! Não se trata de uma “raça” à parte da espécie humana, uma espécie porca e cabeluda cuja linguagem se baseia em grunhidos, embora na maior parte das vezes o preconceito da sociedade para com eles o faça parecer.

Quem nunca sofreu com isso pode achar exagero, ou serem apenas brincadeiras do tipo passar uma miudinha por ti na rua e dizer: "Tu és feio!" ao que respondes com uma careta que faz com que ela saia a correr lavada em lágrimas, ficando traumatizada para a vida (ehem, nunca aconteceu...) mas outra coisa é... bem... quando alguém é impedido de conseguir um emprego ou uma promoção apenas pelo facto de ter o cabelo um pouco mais comprido que o habitual, estas pessoas são julgadas sem hipótese de mostrar o seu potencial e provar que são tão bons ou melhores que qualquer “betinho” que nem tem personalidade própria.
Apesar disto é engraçado que vários “intelectualóides” como artistas, poetas ou pensadores usem cabelo comprido e barba mal feita e no caso deles isso seja associado à sua "genialidade" enquanto no caso dos jovens metaleiros isso é sinal de delinquência e má aparência - não digo que todos possuam a dita genialidade, mas mesmo que fossem possuidores dela eram "crucificados" antes de terem oportunidade de a demonstrar...

Bom, mas como nada é perfeito não pensem que quero com isto dizer que os metaleiros são seres imaculados e que eles seriam os senhores do universo numa sociedade utópica em que a fonte de energia-base utilizada pelos humanos seria o hidrogénio (é o futuro!), afinal há muitos metaleiros mete nojo entre eles e é por culpa desses totós que o metal tem a péssima reputação que tem, mesmo que a grande maioria não se encaixe nesse perfil (bem, a vida é mesmo assim...).
Não pretendo com este texto enfatizar a "superioridade" de ninguém em relação aos outros, o que quero chamar à atenção com estes exemplos é para o facto de as pessoas serem discriminadas e censuradas apenas por não segurem certas “modinhas” ou serem um pouco diferentes.

Bem sei que o preconceito não acontece apenas connosco (era bom que assim fosse), pois há pessoas rotuladas por razões que nada tem a ver com a preferência musical ou mesmo com a aparência, há situações tão imensamente graves em relação a sexo, raça ou religião, que um blog inteiro não cobriria, mas é um assunto sempre importante e que merece alguma reflexão.
Se esta crónica serviu pelo menos para isso, já é uma vitória!

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● The HM Chronicles: III - Escola de Rock

25 setembro, 2009 4 Comentários
Regressam hoje as HM Chronicles, com um pequeno guia para “quem não gosta de Rock” e também para aqueles que gostam, para que possam descobrir novos ou velhos sons que nunca tenham ouvido, ou apenas há muito tempo não ouviam...


Quando eu falo em “quem não gosta de Rock” o que eu quero dizer na verdade é “diz que não gosta de Rock”, isto porque é impossível não gostar de uma boa rockalhada, nem que seja só um bocadinho, por mais que se curtam outros estilos! A maior parte do pessoal que diz isso, pura e simplesmente ainda não descobriu, ainda não ouviu a música certa, ou tem uma ideia errada do que é o Rock. Tenho a certeza absoluta (bem, quase...) que depois de ouvirem algumas destas sugestões, vão descobrir que o Rock e o Metal não simbolizam apenas um bando de malucos vestidos de preto a abanar a cabeça e a grunhir de forma bizarra (eu devo dizer que nunca fiz tal coisa... nem quando o Hetfield nos pede nos concertos para gritar: HURRRAAA!!!)!

Ok, tudo bem, há muita gente que faz isso... mas o público em geral acha que passa apenas por aí o que não é de todo verdade.
Por isso é sempre bom relembrar que a maior parte do pessoal, como eu, gostamos de boa música, convívio... na grande maioria dos concertos nunca há confusão, nem pessoal à porrada (ok, os moches podem parecer porrada mas é apenas convívio... Apesar de poder haver momentos menos agradáveis...)!

Agora que estamos esclarecidos quanto a este assunto, vamos falar do que realmente importa. O que vou escrever a seguir são apenas algumas sugestões para começarem a ouvir algumas bandas ou álbuns que podem ou não vir a gostar (mas acredito vivamente que sim!):
Se não conhecem muitas bandas e se são fãs de séries ou filmes de terror, comecem por ver a série Sobrenatural, passa à 5ª feira na RTP2 às 22:40 e tem uma banda sonora incrível com bandas fantásticas (não, ainda não me pagaram pela publicidade, mas vou ficar à espera)!
Como eu estava a dizer, há uma boa quantidade de bandas que certamente irão gostar, como por exemplo:
Alice In Chains, Audioslave, Foo Fighters, Green Day, Guano Apes, Linkin Park, Nirvana, Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers, Soundgarden, Sum 41, The Killers, The Offspring... entre tantos outros, e só estou a começar com os mais comerciais da nossa geração.
Não acredito que haja muita gente que não tenha pelo menos ouvido falar nestas bandas, a maior parte de vocês já ouviu, pelo menos uma boa data de vezes na rádio! De qualquer forma, uma boa maneira de ficarem a conhecer estas e outras bandas é no YouTube. Basta pesquisarem alguns nomes, verem os primeiros vídeos que aparecerem e se gostarem, os vídeos relacionados levam-vos a descobrir um monte de bandas bem boas, entre o monte de m**** que vos pode aparecer! É apenas uma sugestão, que dá algum trabalho e exige alguma paciência, mas podem sempre deixar isso de lado e partir para outra!

Claro que também não devem deixar de ouvir os grandes clássicos, vão ouvir algumas daquelas músicas das quais certamente conhecem o ritmo, mas que muitas vezes não associam a nenhum nome ou artista, coisinhas míticas, e podem começar por bandinhas como as seguintes:
AC/DC, Aerosmith, Beatles, Blue Öyster Cult, Bon Jovi, Bruce Springsteen, Creedence Clearwater Revival, Deep Purple, Def Leppard, Dire Straits, Foreigner, Genesis, Guns N' Roses, Jethro Tull, Jimi Hendrix, Kansas, Kiss, Led Zeppelin, Lynyrd Skynyrd, Pink Floyd, Queen, Rainbow, Ramones, Ronnie James Dio, Rolling Stones, Rush, Scorpions, Supertramp, The Doors, Van Halen, Whitesnake, Yes, etc. e tal!


Para os utilizadores mais avançados, que já se habituaram a estas andanças e querem um som mais potente e "mexido", mas igualmente porreiro, a escolha passa de certeza por algo deste tipo:
Apocalyptica, Black Sabbath, Dream Theater, Epica, HIM, Iron Maiden, Judas Priest, Korn, Lacuna Coil, Manowar, Megadeth, Metallica, Motörhead, Nightwish, Ozzy Osbourne, Pantera, Rage Against The Machine, System Of A Down, Within Temptation, X Japan, e há muito mais por aí.


Estes são apenas alguns exemplos ou sugestões de bandas que podem (ou não) vir a gostar depois de ouvirem. Se fizerem como eu expliquei em cima podem ouvir algumas das músicas mais conhecidas de cada uma e que certamente uma boa parte até conhecem. Se gostarem do som, melhor ainda, mas se procurarem o que mais vos agrada desta forma (que pode dar um bocadinho de trabalho, mas que no final vai valer a pena) de certeza que vão ficar com uma ideia diferente daquilo que o Rock e o Metal representam e talvez dar-lhes um pouco mais do respeito que estes géneros de música merecem e que nem sempre lhes é reconhecido!

Não podem perder eheh! Podem ler as restantes crónicas desta rubrica AQUI.

● The HM Chronicles: II - O Baptismo de Fogo

21 agosto, 2009 6 Comentários
Hoje vou falar-vos do primeiro concerto a sério de uma banda “grande” de Heavy Metal a que assisti. Não com uma banda qualquer mas com "A Banda"!


Esta não foi de todo a primeira vez que estive presente num concerto de Metal, pois como é óbvio principalmente no verão, já tinha estado frente a frente com bandas menores, das quais destaco os “Ferro e Fogo” uma banda de covers que conta já com mais de 30 anos de carreira e que baseiam o seu set-list em bandas dos 80’s, principalmente Iron Maiden. Mas, adiante...

Desde que comecei a ouvir Metal, a banda que mais me apaixonou foi Metallica. Eu sonhava já há bastante tempo por uma oportunidade de os ver ao vivo, por isso quando a sua presença foi confirmada no Super Bock Super Rock de 2007 eu sabia que não podia faltar à chamada!
Na altura com os meus 20 anitos não tive grandes problemas com os meus pais, por isso apenas tive que pedir uma folga no trabalho e pôr-me a andar para Lisboa. A acompanhar-me foi Samuel (vocês devem conhecê-lo de outros posts), mas como não podia deixar de ser encontrámos o Sérgio (mais uma vez ele está lá...) que foi connosco, entre outros antigos colegas de liceu, na viagem de comboio.
Chegados a Lisboa e ao parque onde se dariam os concertos, a loucura ia começar. Mastodon abriu as hostilidades com a violência previsível e depois vieram os Stone Sour, duas bandas muito boas que acabaram por ser apenas um aperitivo para o que aí vinha. A noite chegou quando o “Mestre” Satriani começava a brincar com a guitarra como um puto pequeno quando lhe oferecem um carrinho novo! Foi um concerto verdadeiramente memorável, a introdução perfeita para a maior banda de Metal da actualidade...

Os minutos que se seguiram pareceram uma eternidade, embora o travar de conhecimento com algumas meninas que tinham ido ver o concerto tivesse atenuado um pouco essa sensação, mas quando finalmente comecei a ouvir a mítica “Ecstasy Of Gold” eu esqueci completamente tudo o resto e as duas horas e meia seguintes passaram a uma velocidade vertiginosa por meio de riffs e solos avassaladores! - Eu podia ficar aqui a descrever cada música do concerto até ao mais ínfimo pormenor, mas vocês já devem estar a pensar "Meu este gajo está possuído por estar a falar tanto de sentimentos e m***** destas!", e eu não vou querer que passem por isso, pois não quero ninguém traumatizado e a precisar de tratamento psicológico, até porque isto é um blog sério!... Por isso passemos essa parte...
Após a derradeira “Seek & Destroy” era tempo de voltar para casa e, apesar de ter o corpo meio partido pelo moche e a certeza de que as próximas horas na estação iam ser muito, mas mesmo muito longas e dolorosas, eu estava com um daqueles sorrisos que de tão irritantes só dá vontade de bater (!!!) mas este é o efeito que o Metal deixa nas pessoas (embora também pudesse estar ligeiramente pedrado, devido às inalação de fumo em segunda mão cedido por um grupo simpático que estava próximo de nós).

O que é certo, é que este concerto foi de facto fabuloso e deixou marcas profundas no meu ser e isto é algo que não ocorre todos os dias certo?!

Espero também que esta história tenha servido para vos incentivar a ir a um concerto de Rock, porque nestes espetáculos não há só um monte de gajos cabeludos aos berros e as miúdas não são sempre feias ok?! Isso é falso, altamente falso, experimentem e vão ver!

Podem ainda ler a primeira crónica desta rubrica AQUI.

● The HM Chronicles: I - O Despertar

31 julho, 2009 5 Comentários
Esta será uma série de textos que quando concluídos formarão as The HM Chronicles (sendo que HM simboliza obviamente Heavy Metal!). Estas crónicas servem apenas para atingir um patamar um pouco mais alto a nível de parvoíce, estupidez, maluquice e cultura (in)útil neste blog. Espero que seja do agrado de todos! (Se não for tenham paciência, mas não devo fazer grande coisa em relação a isso...)
Aviso: O conteúdo que se segue poderá conter palavras e/ou expressões susceptíveis de ferir a sensibilidade dos leitores sendo por isso interdito a menores de 18 anos, por isso se for menor de idade ou nunca tiver lido a palavra "merda" até hoje... Agora já leu! Todos os factos expressos no texto publicado a seguir não são pura ficção. Qualquer semelhança com a realidade é propositada (ou não...).

Será melhor então começar pelo inicio (eu podia começar a contar a partir da actualidade e fazer referência ao passado através de flashbacks, mas não vale a pena o trabalho).
Seguindo esta lógica vou falar-vos daquele que é um dos momentos mais marcantes para qualquer fã de música que é quando... por mero acaso... ou não... ouvimos aquele som que nos deixa completamente estupefactos e a perguntar como é que é possível existir algo tão genial sem nunca ter dado por isso! A origem da nossa paixão pelo Metal!
Podíamos falar do primeiro concerto a que assistimos, mas como na maior parte das vezes ficamos alegremente alcoolizados logo nas primeiras músicas, ou inconscientes devido aos moches é um complicado exercício mental tentar recordar esses momentos - fica para um outro dia... talvez na próxima crónica - pelo menos essa é a ideia que tenho... mas chega de tretas, prestem atenção porque este é um registo histórico que vai ficar para sempre nas vossas memórias...

Apesar de só ser verdadeiro fã e seguidor de Rock/Metal desde os meus 15 anitos, digamos que não foi com essa idade a minha primeira experiência com música deste gabarito, já que o meu pai tem aquilo que eu gosto de chamar uma “wicked vinyl collection” de bandas como AC/DC, Van Halen, Ramones ou Motörhead, que eu ouvia desde pequeno quando ele punha a tocar, mas na época nunca tinha tido a noção do quão grandiosas essas bandas eram, muito menos que iria venerá-las anos mais tarde (quando o meu pai punha os vinis a tocar o que eu fazia era do tipo Run to the hills/Run for your life... por isso nunca as tinha ouvido com a atenção devida)...

A minha introdução ao Metal propriamente dito, aconteceu então (tal como a mítica história de “Le Papier”) numa aula de Oficina de Artes, em que fomos autorizados a ouvir música na aula, mas o problema de se ter apenas um rádio para uma turma inteira é que passámos metade da aula a discutir que CD se iria enfiar lá dentro... (E normalmente não era de Metal pois ao fim do primeiro refrão já estavam a pedir para destruir o rádio... isto se a dita música tivesse refrão caso contrário seria ao fim do primeiro riff... refrão, riff topam?!)
Visto não terem ganho a luta sobre a música que ia tocar, o pessoal que tinha leitores de CD’s sacou deles e a partir daí reinou a paz... tirando os habituais perjúrios ao artista que eventualmente estivesse a passar naquele momento. Nessa altura expressões do tipo: “Este gajo é uma m****!!!" (palavra censurada devido ao aviso feito acima) ou “Tu é que és!” e ainda “Deviam fazer frango assado todos os dias na cantina!” ou “Dá-lhe Adélia!” inundavam a sala...
Entretanto, eu tinha acabado o trabalho mais cedo - e gostava de me recordar em que consistia o dito, pois foi uma ocasião não muito comum, já que eu era por norma um dos últimos a acabar o que quer que fosse naquelas aulas... (talvez não tivesse material, o que também era recorrente, mas normalmente eu era extremamente perfeccionista e gastava muito tempo em pormenores até achar que estava perfeito) - e pedi ao Sérgio (era ele quem mais promovia o Metal na turma, mas independentemente disso está lá sempre nos momentos revolucionários, é impressionante!) se podia ouvir qualquer coisa no “Discman” dele. Ele concordou imediatamente mas avisou-me que podia achar violento o CD que lá se encontrava - Master of Puppets de Metallica.
Fiquei intrigado, mas na altura não liguei ao aviso, ainda menos quando ouvi os primeiros acordes (em guitarra acústica note-se) de uma música chamada Battery (!!!) eu apenas pensei: Isto é bonito! (lol) Mas a calma inicial depressa deu lugar a riffs rápidos e agressivos e eu fiquei literalmente sem reacção a ouvir aquilo até ao fim. Logo a seguir veio a fantástica Master Of Puppets, (que ainda hoje se mantém como a minha música preferida sem contestação) da qual eu fiz questão de ouvir todos os 8:35 minutos, embora no final da música eu estivesse nitidamente a precisar de uma pausa!
O resultado final foi algo deste tipo:

O Sérgio veio pouco depois ao pé de mim com uma cara do tipo “deixa lá que isso passa” e deu-me o Black Álbum também de Metallica e disse tratar-se de um álbum um pouco mais calminho. Eu perguntei quais eram as melhores músicas ao que ele respondeu: “Todas!”
Quanto ao resto, bem...
Depois desse dia, nada mais foi o mesmo... Embora isto fosse apenas o início de uma loucura underground que se começava a propagar pouco a pouco na escola, não demoraria muito tempo até se começar a ver três tipos com dois pares de headphones e dois “Discmans” cuidadosamente sincronizados na música “Fear of the Dark” num esquema do tipo OIIOIIO sendo que os “I” representam headphones ligados ao respectivo "Discman" e os “O” são as cabeças em constante abanão a trautear o ôh-ôh-ooh de Fear Of The Dark... o vírus estava a espalhar-se!...

Eu gostaria de dizer agora que a partir daquele momento a escola em peso aderiu ao Rock (já nem falo em aderirem ao Metal...), mas a verdade é que havia apenas um grupo de alunos que se mantinha fiel a este tipo de música e por mais que nós tentássemos este não aumentava... Um exemplo é o caso das festas da escola, se algum DJ tivesse a triste ideia de passar Rock ou algo do género, uma sala cheia de alunos passava a ter apenas meia dúzia de gatos pingados a abanar a cabeça, pois o resto partia em debandada! Mas se no momento imediatamente a seguir, o dito DJ passasse um tal de hip-hop ou um dance musiczinho era ver a loucura de volta.
Mas nós nunca desistimos e sempre tentámos atrair mais iniciados à nossa causa (não, eu não fiz parte da Máfia) mas a verdade é que o Metal sempre foi uma espécie de culto underground (esta expressão ainda o faz parecer mais brutal, apesar de na realidade já o ser...) e é assim que continuará a ser!


Não percam a próxima crónica que será lançada brevemente (que é como quem diz daqui a umas semanitas porque isto dá um certo trabalho e eu tenho mais que fazer, afinal estou de férias) e que realmente tentará falar do primeiro concerto de Metal relevante o suficiente para poder ser considerado o “Baptismo de Fogo”!!!!! (Adoro esta expressão, vai ser muito “hot”... estou realmente a começar a dominar isto dos trocadilhos...)
 
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