● The End...

20 maio, 2016 1 Comentários
Boas pessoal!

Desta vez é definitivo... The Grand Chaos encontrou por fim a Ordem e vai dar por encerrada a sua missão... A história de Le Papier foi encerrada (?!) e com esta última aventura também este espaço se despede de vocês. Foi uma experiência inesquecível e uma ótima companhia, mas tudo o que tem um início acaba por chegar também ao fim.

Obrigado por todo o vosso apoio e continuem a passar por aqui quando sentirem vontade de ler palermices... A porta está sempre aberta!

Have fun!!!

Aqui ficam as recomendações do costume para vocês:
  • Não percam as fantásticas aventuras de Le Papier!
  • Para melhor compreenderem a complexidade que está por trás de algo tão colossal no universo musical como o Rock e o Heavy Metal, criei esta fantástica rubrica, intitulada The HM Chronicles. \m/
  • Podem ainda encontrar vários posts porreiros no meio do Grand Chaos do blogue, como: Os vários episódios da saga Dragon Ball Z Abridged;
  • Recordem alguns dos Grandes Clássicos de várias áreas artísticas (estes são apenas alguns que fazem parte da minha vida, mas de certeza que à medida que a rubrica for evoluindo encontrarão algo com que se identifiquem... ou então não... mas não deixem de verificar de qualquer das formas! ;)
  • Podem ler ainda algumas das minhas Teorias mais fabulosas, entre outros posts que podem encontrar através da barra lateral do lado direito, onde estão arrumadinhos e divididos por categorias! Também encontram outros links no caso de estarem interessados em acompanhar as minhas loucuras no separador das Categorias na sidebar!

Fiquem todos muito bem. Beijos e/ou abraços!

It's CHAOS!

● Le Papier Shine On: Order XIII - 4.ª Parte

06 maio, 2016 2 Comentários
A noite aproximava-se a passos largos enquanto o rugido do Mustang ecoava no porto de Aveiro e o solo de guitarra de Highway Star era bruscamente interrompido agora que a viagem de Papier e MoonShine chegara ao seu destino.
Os jovens procuraram no horizonte mas não havia sequer sinal do cargueiro de Craft, o que levou a que Moon, profundamente irritada consigo própria, decidisse procurar por informações aos guardas do porto, não se importando com o uso ou não de violência... Papier falava calmamente ao telemóvel e mal se virou, a jovem havia desaparecido...

Papier procurou por Moon, seguindo o rasto de guardas em sofrimento ou simplesmente inconscientes, até eventualmente a encontrar a interrogar um homem que gemia como uma criança a ser castigada... O jovem colocou a mão no ombro de Moon e disse-lhe que não valia a pena, e tal gesto retirou-a do estado de fúria em que está se encontrava, e acabou por soltar o indivíduo enquanto olhava em choque para as suas mãos manchadas de sangue...
Papier agarrou-lhe as mãos e limpou-as com cuidado e afagou-lhe a cabeça, garantindo-lhe que eles não iriam desistir de Zack e a jovem acalmou-se por fim. De seguida, Papier planeava não assustar o traumatizado guarda, que certamente já tinha sofrido o suficiente para um dia, mas acabou por reconhecer o marido traidor que seguira na fatídica noite em que combatera MoonShine, e tal reencontro alterou os seus planos que passaram a incluir um interrogatório bastante sádico, não fosse Papier companheiro de Knox Park, especialista em torturas...
Moon sentiu-se muito melhor consigo própria depois de ver o que Papier havia feito para extrair informações ao pobre guarda... o que resultou em coordenadas de GPS do suposto destino de Craft. O jovem reconheceu o espanto no seu rosto e retorquiu simplesmente que ele mereceu o tratamento, e ambos saíram dali por fim.

Correram para próximo do Mustang e Papier pô-lo a trabalhar, ligou todas as luzes, tornando-o numa espécie de mini-farol, e fazendo-o rugir de forma ensurdecedora, que deixou Moon num estado de confusão total, enquanto Papier apenas lhe sorriu e estendeu o polegar numa pose de "nice guy" que ela achou assustadora... Moon ainda tentava esquecer a expressão arrepiante de Papier quando sentiu uma corrente de ar fortíssima seguida de um foco de luz que quase a cegou. Quando deu por si Papier estava ao seu lado e o carro estava de novo parado mas o Porto não estava menos silencioso...
Acima deles estava um helicóptero da N.O.V.A. Corp. que pousou ao lado deles e dele saiu uma mulher extremamente elegante que Moon reconheceu como Cristina Maxwell, a presidente da N.O.V.A., uma das mais avançadas empresas no ramo da tecnologia, que se tornou numa grande aliada de Papier desde que Cristina tomou o comando, e que o jovem contactara havia pouco tempo.
Papier cumprimentou-a e apresentou Moon, agradecendo em seguida a ajuda. Cristiana mostrou-se feliz por ajudar no que fosse necessário e desejou boa sorte para o resgate de Zack.

Papier inseriu as coordenadas GPS no aparelho, e estas apontavam para o que aparentava ser um pedaço de nada no meio do oceano e dirigiram-se para lá a toda a velocidade, mas nada os podia preparar para aquilo que encontrariam à chegada.
Uma enorme ilha de pedra angular negra coberta do que aparentava serem algas surgira no meio do mar revolto, e Papier e Moon associaram imediatamente tal aparência ao pilar negro que a Ordem encontrara...
E claro que o cargueiro de Craft estava aportado numa pequena baía, com os seus soldados em grande azáfama... E vislumbraram por fim o seu objectivo! Zack estava amarrado ao pilar negro, coberto de sangue e aparentemente inconsciente... O sangue dos jovens ferveu! A hora tinha finalmente chegado... O resgate de Zack Thunder iria iniciar-se!


A situação em que se encontravam não permitia estratégias muito diversificadas, mas tanto Papier como Moon sabiam o que havia a ser feito, por isso desceram rapidamente até à ilha, onde foram recebidos por um comité de boas-vindas composto por um grupo de soldados que foram imediatamente derrotados. Inimigos daquele nível não iriam fazer mossa e Papier sentiu-se insultado pela leviandade de Craft em recebê-los daquela forma. Mas Craft não era ingénuo e como os jovens descobririam brevemente, os problemas estavam apenas a começar.

O chão sob os seus pés tremeu com violência e os jovens sentiram a pedra a erguer-se e a geografia à sua volta a alterar-se. Correram rapidamente à procura de Craft enquanto derrotaram agentes dos SOMBRA claramente confusos com o que se passava naquele local quase alienígena...
Subiram uma colina angular e deram com o restante exército da Ordem a aguardá-los tranquilamente. Entre eles encontravam-se agentes SOMBRA que traíram a liderança de Black, bem como agentes da Divisão ARM, certamente com a consciência alterada pela Despair de Craft. A Ordem XIII era bastante numerosa, com membros selectos da elite mundial. Os soldados abriram um corredor e o seu Líder surgiu por fim para enfrentar os adversários. O seu rosto pálido e encovado como um espectro concentrou-se em Papier e Moon.

A lua esquivava-se por entre as nuvens e o seu luar tornou perceptível o cerco feito aos jovens, que se encontravam cercados por todos os lados. Craft pareceu sorrir mas o seu rosto fantasmagórico não permitia dar essa certeza. Papier olhou para Moon e acenou-lhe em aprovação e então, com toda a certeza, sorriu aos inimigos.
A lua estava agora totalmente visível e brilhou nas lâminas da Ultima de Papier bem como na Eclipse de Moon que já se encontravam desembainhadas. Este sinal de resistência à Ordem provocou uma chuva de balas vindas dos céus sombrios e uma frota de helicópteros silenciosos tornou-se visível.
De um deles caiu algo em velocidade para o solo e os agentes que estavam nas proximidades do objecto gritaram de dor antes de serem esquartejados... Shade chegara ao campo de batalha e com ele a verdadeira SOMBRA...

A chegada dos SOMBRA trouxe um novo caos à ilha, mas a batalha estava ainda no início. Os soldados fiéis a Black aglomeravam-se atrás de Shade mas mantiveram-se imóveis, como se esperassem ordens. Um único helicóptero pousou no planalto e uma rampa abriu para dar lugar à saída dos NeroSlayers, a escolta de Roland Black, que abriram caminho ao seu Líder.
Black avançou numa cadeira de rodas e com o rosto e parte do torso coberto de ligaduras, mas nem por isso perdeu a imponência. Falou com voz firme e dirigiu-se aos seus agentes, a declarar o fim da Organização SOMBRA. A perplexidade foi total, mas Roland ainda não tinha terminado. A última missão de todos os agentes fiéis a si era aniquilar todos os traidores e destruir completamente a Ordem XIII. Para isso todos deviam seguir a liderança de Shade, Papier e Moon. Este foi o último pedido de Black, como Líder da Organização SOMBRA.

Depois do choque e com a motivação dos aliados em alta, Shade conduziu os agentes rumo à batalha, e Papier reconheceu rostos extremamente importantes junto aos SOMBRA: AK-07 e Knox pareciam ter recuperado a consciência e trouxeram com eles Valliachi e Mallow, completando os 4 Horsemen, que avançavam no terreno aliados aos NeroSlayers, formando uma equipa temível para qualquer oponente.
Completamente confiante com o rumo da batalha, Papier e Moon seguiram rapidamente em busca de Craft, que desaparecera, e de Zack, que haviam perdido de vista quando a forma da ilha se alterou. Decidiram subir ao ponto mais alto da ilha, que continuava a sofrer terramotos, e foi no topo que encontraram os dois: o objectivo e o némesis.

Zack continuava inconsciente e num estado quase inconcebível, tendo perdido uma grande quantidade de sangue. Craft não se mostrou surpreendido por vê-los e o seu rosto contorceu-se enquanto manejou a sua Despair com violência contra o espaço vazio à sua frente.
Feito isto, a realidade quebrou-se e uma fenda abriu-se à frente dos jovens, que ligava este Universo a outro lugar que Papier reconheceu imediatamente como Gaia, o Submundo Demoníaco. Um uivo assombroso deu lugar a um vulto enorme que emergiu da fenda e, como um fantasma, surgia agora um enorme Lobo Demoníaco pronto a enfrentar os jovens - a Besta Fenrir.

Um novo uivo monstruoso e o clima transformou-se completamente. Nuvens negras de trovoada formaram-se, trovões rugiram e a lua tornou-se vermelha como sangue, a pulsar em sincronia com os olhos escarlates de Fenrir.
Papier estava visivelmente nervoso e levou a mão ao peito, pronto para usar a sua arma secreta, mas Moon parou-o. Ela encarregar-se-ia de derrotar a Besta, ou pelo menos ganhar tempo para que Papier eliminasse Craft. Até agora ela apenas conseguira seguir o jovem, sem nunca se sentir verdadeiramente útil na batalha, e isso iria mudar agora. A vontade de salvar o pai era total e Moon não se limitaria a assistir.
Papier compreendeu perfeitamente os sentimentos de Moon e não seria ele a quebrar o seu orgulho. Limitou-se apenas a aconselhá-la a não perder o sangue frio, pois se ela se mantivesse fiel a si própria, sem nunca desistir, ela não iria apenas derrotar Fenrir, iria conquistar a Besta... Ele sabia do que falava... Moon não compreendeu inicialmente o que o jovem lhe estava a confidenciar, mas agradeceu a confiança.
Papier avançou determinado sem se preocupar com a Besta nem sequer olhar para trás, pois se o fizesse poderia não conseguir tomar a mesma decisão... Sem ter notado, os seus sentimentos em relação a Moon eram agora enormes e foi com o coração apertado que deixou que Fenrir rosnasse para si, apenas para que Moon lhe cortasse o caminho e mostrasse que seria ela a enfrentá-lo.
Moon era acima de tudo uma verdadeira guerreira, filha do seu pai, e Papier quase se esqueceu disso… tão empenhado em protegê-la, iria agora confiar nela, até porque não se podia dar ao luxo de se preocupar... iria enfrentar um oponente terrível... Craft.


Papier avançou determinado e atacou Craft com tudo logo de início! Já tinham perdido demasiado tempo e o estado de Zack era extremamente instável, pois continuava a perder sangue. Preso naquele maldito pilar, o seu rosto tornava-se mais pálido a cada minuto que passava, mas Papier não estava apenas preocupado, como também intrigado pela atitude de Craft... Este deixou todo o seu exército a combater as forças SOMBRA e ficou sozinho, tal a confiança que o seu plano seria completo. O facto de conseguir abrir portais para Gaia era um poder assustador, mas se Papier o pressionasse sem cessar ele não poderia dar-lhe uso e o jovem queria acabar a luta tão rapidamente quanto possível.
Tal não se revelaria fácil, pois apesar das aparências, Craft era incrivelmente forte. Provavelmente dopado pelo uso abusivo que fez da Despair, o seu poder continuava a aumentar, mas Papier desconfiava que na mesma proporção que este crescia, o seu corpo deteriorava-se, porém não estava em condições de esperar que tal acontecesse.
Os ataques sucediam-se e a luta equilibrava-se cada vez mais, à medida que Craft ia perdendo a humanidade para a Arma, vendida em troca de mais poder.

Moon atraiu e afastou Fenrir do planalto onde Papier e Craft lutavam, com receio que a movimentação da Besta pudesse causar mais danos a Zack, mas a sua missão não se tornou mais fácil. Fenrir atacava-a ferozmente enquanto uivava fantasmagoricamente e a jovem tentava esquivar os seus ataques como podia.
Os olhos de Fenrir pulsavam de raiva, claramente irritado por ter sido retirado do seu mundo, e Moon usava toda a sua agilidade para defender ao máximo e contra-atacar quando possível. A Besta prateada pressionava-a constantemente e apesar do seu tamanho era extremamente rápida. Moon usava as poucas e raquíticas árvores que tinha à sua volta para tentar confundir Fenrir enquanto atacava aos poucos com a Eclipse.
Eventualmente conseguiu arremessar a Arma e ferir Fenrir numa pata dianteira, mas ao recuperar Eclipse notou que apenas causara um arranhão na Besta... Este microssegundo de hesitação foi aproveitado por Fenrir para a chicotear com a cauda e atirá-la ao chão para ser atacada novamente e com extrema violência. Apenas os seus reflexos quase inumanos a salvaram... Começava a perder o fôlego…

A luta entre os exércitos SOMBRA e a Ordem XIII aproximava-se do fim a passos largos. Shade aumentou consideravelmente o ritmo da chacina ao ouvir o uivo de Fenrir e com o apoio dos seus NeroSlayers e dos 4 Horsemen, a batalha tornou-se mais fácil. O General Zed liderava as forças da Ordem e o objectivo tornara-se fazê-lo recuperar a consciência e assim deixar os adversários órfãos de liderança e prontos para aceitar a derrota, e tal momento estava a aproximar-se a passos largos…

Entretanto a luta entre Papier e Craft tornara-se ainda mais intensa. O Líder da Ordem batalhava-se como um Mestre e os seus ataques eram extremamente violentos e tal reflectia-se nas várias feridas que Papier exibia.
O jovem estava bastante impressionado com a resiliência de Craft, que não lhe permitia a luta rápida que pretendia, e o tempo de Zack escasseava... Pelo menos, era o que Papier pensava... Mas um novo terramoto, este bem mais longo e violento alterou todo o cenário da batalha.

Craft estava com um olhar completamente alucinado e no seu rosto impregnado de loucura definiu-se um claro sorriso, enquanto este clamava pelo seu senhor. Voltou-se para Papier e ao notar o olhar algo confuso do jovem, permitiu-se um acto de vaidade e explicou-lhe que Cthulhu estava aprisionado naquela ilha em que se encontravam. O pilar negro funcionava como uma chave, mas apenas quando coberto pelo sangue de um homem justo. A captura de Zack serviu para esse efeito, mas para quebrar o selo que pendia sobre o ser das trevas era necessário derramar mais sangue humano e apenas com esse propósito foi permitido a Papier e ao seu grupo pisar aquele solo profano... A batalha estava a ser terrível, por isso mesmo o despertar de Cthulhu aconteceu mais rapidamente do que Craft planeava...
Após dizer estas palavras, gemeu de dor e cuspiu uma grande quantidade de sangue. O poder de Despair cobrava a sua dívida, mas Craft não se arrependia minimamente, pois o seu plano estava concluído e Cthulhu iria erguer-se por fim.

Com Craft naquele estado, Papier limitou-se a arrancar a Arma das suas mãos e destrui-la, o que, em princípio, faria com que todos os afectados pelo seu poder voltassem à normalidade. A terra ainda tremia quando Shade o alcançou, visivelmente preocupado com o desenrolar dos acontecimentos. Papier não tinha tempo para lhe explicar tudo e a situação tornou-se incomportável quando uma mão gigantesca quebrou o solo e um rosto tenebroso coberto de tentáculos surgiu em seguida. Não havia escolha para os rivais senão combater aquele mítico terror.
Papier e Shade invocaram as armas secretas Bahamut e Odin para combater fogo com fogo infernal numa batalha que poderia ser a sua última.


Cthulhu estava por fim no nosso mundo e foi com um rugido de satisfação que as suas escamas sentiram o luar assim que abriu as suas enormes asas de morcego e levantou voo. Bahamut e Odin seguiram-no para os céus e a Batalha entre as Bestas e o Deus teve início.
Papier apressava-se para soltar Zack quando sentiu alguém aproximar-se a correr. O seu rosto iluminou-se ao ver MoonShine e os dois abraçaram-se, mas rapidamente foram chamados por Shade. Zack esperava o resgate. Os jovens soltaram-no por fim e verificaram que ele estava ferido gravemente mas ainda vivo, o que se traduziu num grito de momentânea alegria, que foi cortado no instante seguinte pelos sons da batalha acima deles. Entretanto e com a missão concluída, pois a destruição da Despair trouxe por fim alguma razão a toda a loucura que se espalhava, começaram a chegar reforços liderados pelos 4 Horsemen.
Papier pediu a AK que levasse Zack e o tratasse com a máxima urgência e pediu a todos que evacuassem a ilha imediatamente, pois a ameaça de Cthulhu era algo completamente diferente de tudo o que já enfrentaram. O pedido alargou-se a MoonShine, que rapidamente o rejeitou, mantendo-se inflexível na sua decisão.

As Bestas continuavam a combater, mas era óbvio que Cthulhu estava a dominar o combate e tinha uma enorme vantagem nos céus. Não demorou muito até que Bahamut fosse golpeado com enorme violência e caísse desamparado no chão. Papier nunca o vira em tamanha dificuldade, mas Moon não se mostrou impressionada pela monstruosidade de Cthulhu e aproximou-se do Deus que se desembaraçara também de Odin e tirou uma pequena pedra azul do bolso. Papier sorriu ao reconhecer o tipo de gema que a rapariga segurava... Ele manteve a esperança que Moon conseguiria e via-a agora ser recompensada.

Moon suspirou e atirou a gema ao chão despedaçando-a. No mesmo local surgia agora Fenrir, agora muito menos violento, domado pela coragem e determinação de Moon que o conquistou.
Bahamut e Odin reergueram-se, possuindo a mesma resiliência dos seus Mestres, e avançaram em direcção ao inimigo, tal como Fenrir, que com apenas um olhar da Mestra soube o que tinha a fazer e a Trindade das Bestas uniu-se contra o Deus Cthulhu.

As três Bestas atacaram como uma só, coordenadas como se o tivessem feito desde sempre, visando os pontos mais sensíveis de Cthulhu. Fenrir descreveu um círculo à sua volta, atacando-o pelas costas e cravou-se violentamente no seu pescoço, imobilizando-o, Odin aproveitou para carregar o monstro e apunhalá-lo profundamente no peito, Bahamut finalizou a combinação, agarrando-o com toda a força nas enormes asas, deflagrou as suas chamas escarlates no Deus que rugiu de dor, elevou-o às alturas e arremessou-o sem piedade de volta ao chão de tal forma que a queda provocou um tremor trovejante e criou uma imensa cratera.

Cthulhu levantou-se sem ferimentos, mas extremamente furioso, e a sua raiva destruidora tornou-se num ensurdecedor rugido que resultou numa chuva de relâmpagos que se abateu sobre eles, seguido da formação de tornados que deixaram o mar revolto e incontrolável... Cthulhu parecia verdadeiramente invencível e os jovens começavam a perder a esperança, até que foram cumprimentados por dois velhos conhecidos: Kaiser e Alex.
Uma réstia de esperança ressurgia, pois Kaiser declarou ter conseguido descobrir uma forma de voltar a fechar o selo de Cthulhu. Precisava de alguns minutos para preparar tudo mas depois disso era necessário empurrar o monstro para o abismo criado durante o seu despertar. Era a única forma de vencer.


Kaiser pôs-se imediatamente ao trabalho e os jovens comandaram as Bestas, visivelmente mais fracas contra o monstro, o que tornou a luta completamente desequilibrada.
Alex ajudou e enviou o seu Chaos para ajudar, mas a fúria cega de Cthulhu parecia imparável. Papier decidiu que para que conseguissem vencer não podiam simplesmente confiar nas suas criaturas, tinham que ajudá-las no combate. Moon e Shade não viram grande escolha e avançaram em conjunto.
Os três atacaram em conjunto as pernas de Cthulhu numa tentativa desesperada para o desequilibrar e as suas Bestas, ao sentirem a presença dos Mestres a combater em conjunto reagiram de uma forma que Kaiser nunca antes presenciara... Os seus corpos começaram a brilhar intensamente e mutaram para uma nova forma, maior e mais poderosa, o seu último trunfo!
Kaiser estava boquiaberto, mas tinha de continuar a sua missão, e passados alguns segundos o selo estava pronto para ser encerrado.

Papier, Moon e Shade montaram as Bestas e atacaram Cthulhu, que percebeu as intenções dos jovens e tudo faria para as evitar. Moon e Fenrir placaram, Shade e Odin esquartejaram e Bahamut carbonizou, mas tal não foi suficiente e Cthulhu contra-atacou afastando as bestas violentamente, que foram travadas por Chaos que as reergueu. Para acabar de vez com a luta, Moon e Shade combinaram o ataque, pegaram em Papier e projectaram-no fortemente contra Cthulhu e por fim o esforço surtiu algum efeito, pois o golpe da Gunblade arrancou-lhe alguns tentáculos do rosto e destruiu o seu olho direito, resultando num grito monstruoso de dor.
Este era um momento que tinha de ser aproveitado ao máximo, por isso Fenrir abocanhou o pilar negro e atirou-o a Bahamut que o usou como uma enorme estaca para empalar Cthulhu, que cambaleou enfraquecido. Num último ataque em conjunto, as três Bestas carregaram sobre o monstro, empurrando-o para o abismo e Kaiser começou o processo de selamento. Craft, que neste momento era apenas uma casca de si mesmo, tentou salvar Cthulhu e acabou também ele por cair e seguir o seu Deus.

A fenda estava fechada e Cthulhu derrotado, mas ainda não era tempo de festejar… Kaiser alertou que a ilha iria submergir de novo, logo tinham de sair dali com a máxima urgência. Felizmente, Black manteve-se na ilha, confiante que o grupo venceria, e com ele estava Zack Thunder, ainda muito enfraquecido, mas de pé e ansioso por ver a filha e os pupilos sãos e salvos. Moon abraçou-o com gentileza num gesto que demorou uma década a acontecer… No que dependesse dos dois, tal não se voltaria a repetir.
Saíram dali sem olhar para trás e Papier colocou Shine On You Crazy Diamond a tocar com volume no máximo, enquanto o temporal de relâmpagos e tornados engolia R’lyeh num espectáculo terrível, de volta para o esquecimento profundo de onde nunca viria a regressar…


A traição da Ordem XIII causou várias mudanças ao redor de todos os personagens, entre eles o fim da Organização S.O.M.B.R.A. tendo Roland dispersado todos os seus agentes, muito embora os NeroSlayers se tenham mantido ao seu lado, liderados por Shade. A Divisão A.R.M. da Interpol também foi desfeita por Zed e os 4 Horsemen separaram-se.
Papier continua a manter a Agência de Investigação Grand Chaos, embora mais uma vez o trabalho se resuma quase na totalidade a problemas do foro conjugal...
Moon passou a visitar Papier imensas vezes, muito para desconforto de Zack, que previa o que vinha por aí e não era grande fã, pois eventualmente a jovem decidiu ficar com Papier e os dois juntos tornaram-se na força mais badass de combate aos delinquentes que ousavam desafiá-los... e num casal muito apaixonado…

No fundo, o destino de todos fora traçado, mas nem algo como o destino poderia limitá-los, nem tão pouco o céu seria o limite para as suas aventuras que não iriam terminar…


● Le Papier Shine On: Order XIII - 3.ª Parte

29 abril, 2016 2 Comentários
Echoes passava da marca dos 20 minutos quando o Mustang entrou em Adelaide. Papier decidira investigar a misteriosa arma demoníaca com que Craft alterara as memórias de MoonShine e dos agentes ARM e ninguém mais qualificado para lhe fornecer informações que um demónio veterano como era Kaiser T Daemon - contra quem lutara no passado... para depois se aliarem contra um inimigo comum...
MoonShine fizera boa parte da viagem em silêncio, sentindo-se ainda culpada pelo desaparecimento de Zack, muito embora Papier a tenha tentado animar como podia, cantando de forma atrapalhada e contando piadas idiotas, o que acabou por fazer com que ela se abrisse um pouco e por fim sorrisse, o que deixou o jovem bastante feliz, mas a verdade é que a jovem ainda era atormentada por pesadelos, pese o seu esforço para os ocultar... e havia uma imagem que era recorrente em todos eles... o momento em que saiu de casa, e Zack lhe ofereceu a Eclipse, a sua foice de lâminas azuis. A última memória que tinha do pai.


Moon sempre adorou o pai, e este passava sempre todo o tempo que podia com ela, mas como Mestre que era, viajava muito pelo mundo, viagens através das quais conheceu e acolheu Papier e Shade como aprendizes e nas quais enfrentaram personagens impressionantes, mas não havia nada que gostasse mais que voltar para a sua filha e divertir-se com ela, ficando sempre orgulhoso de todos os seus progressos e do seu crescimento como mulher.
Foi com esse orgulho, mas também com o coração apertado que Zack viu partir a jovem para a cidade aos 17 anos, para concluir os seus estudos e, quem sabe, uma vida feliz e sem preocupações de maior. Quando se despediram, a Eclipse, artefacto que Zack descobrira nas suas viagens e com o qual Moon cresceu foi-lhe oferecida, embora esta há muito já lhe pertencesse, e assim pai e filha partiram por caminhos diferentes, sem imaginar que estes se cruzariam no futuro de forma tão trágica.

Pouco tempo depois de entrar na universidade, e devido às suas qualidades e inteligência muito acima da média, Moon foi recrutada pelos SOMBRA depois de visitar uma conferência de Anarcocapitalismo no Porto, onde encontrou Craft pela primeira vez.
Desejosa de deixar a sua marca no mundo e de contribuir para o tornar melhor, Moon não hesitou e juntou-se à Organização onde passaria a década seguinte.
Nos meses e anos que se seguiram e inconsciente dos verdadeiros interesses dos SOMBRA, Moon foi decisiva em múltiplas investigações, ajudando a Organização a reerguer-se mesmo depois de esta ser ferida com gravidade após múltiplos ataques por parte de Papier e da Divisão ARM, até descobrir a teia de máfia e corrupção na qual se encontrava presa.

Nesse tempo, Craft tornara-se extremamente perigoso e poderoso, mas também algo louco. Estava rodeado de personagens obscuros e estranhos, e forjavam planos cada vez mais anormais, até ao momento em que este descobriu aquele artefacto. Aparentava ser uma espécie de ceptro, totalmente feito de metal verde, de aspecto frágil, com uma pequena pedra negra no seu topo, coberto de inscrições numa linguagem antiga e desconhecida. Vinha acompanhado de uma pedra negra lodosa coberta das mesmas inscrições estranhas. Depois disso tudo mudou…
MoonShine reuniu com Craft para pedir transferência. O seu espanto foi notório quando encontrou o seu chefe com uma aparência completamente diferente daquela que conhecia. Craft era agora um homem extremamente pálido e magro, com olhos pequenos e encovados, rodeados por olheiras negras, dando-lhe um ar cansado que contrastava com o seu olhar penetrante e atento. A Ordem XIII e Craft em particular não podiam deixar escapar alguém tão valioso como Moon, mas esta não podia ficar contra a sua vontade, isso limitava a sua utilidade, por isso, acedeu ao pedido de Moon com um sorriso, mas garantiu-lhe que ela iria mudar de opinião. Tocou no pequeno ceptro e a pedra negra pareceu escurecer ainda mais, desprovendo Moon da sua vontade e tornando os seus olhos brilhantes numa sombra baça daquilo que eram segundos atrás.

Desde esse dia até acordar no escritório de Papier, as memórias de Moon estão praticamente desfeitas. Como se uma enorme parede a tivesse rodeado e prendido, e por mais que ela se debatesse, o máximo que conseguia fazer era provocar pequenas rachaduras nos inúmeros tijolos que a constituíam, podendo apenas observar fragmentos das suas acções, antes da parede se recompor deixando-a novamente na obscuridade, sem qualquer controlo ou noção do seu destino.
Graças a Zack, Moon está finalmente livre e possui um novo propósito, resgatar o pai e recuperar os anos que perdeu enquanto esteve prisioneira de Edward Craft. E para isso vai poder contar com a pronta ajuda de Papier e do relutante Shade. Os aprendizes tornaram-se finalmente Mestres e estão prontos para fechar o círculo.


Papier chegou ao edifício onde Kaiser vivia ao fim da tarde, e entrou casualmente à procura do apartamento, seguindo os inconfundíveis sons escandalosos do grupo, e que agora provinham do outro lado da porta à sua frente. Moon estava curiosa com os gritos desesperados que ouvia, mas Papier não estava propriamente surpreendido. Hesitantemente bateu à porta e os gritos cessaram pouco depois, quando um jovem dotado de um impressionante olho negro os atendeu.
Era Alex, o companheiro inseparável de Kaiser, que fora atormentado e possuído pelo demónio quando este chegou ao nosso mundo pela primeira vez. Alex provou o seu valor e ganhou o respeito do demónio que agora o trata como igual… na medida do possível… mas provavelmente as coisas não mudaram assim tanto…
Alex mostrou-se muito feliz em ver Papier, que se tornara num bom amigo e de quem falava constantemente. Apressou-se a convidar o par a entrar e chamou Kaiser com um grito, começando a guiá-los para a sala. Papier notou que Rafa, um dos companheiros de quarto de Alex, estava deitado no chão, aparentemente inconsciente, e concluiu que os gritos que ouvira eram dele.
Do sofá ergueu-se Lily, uma protegida de Kaiser que também morava lá em casa, o que explicava o rapaz estendido o chão. Lily era uma demónio de gelo e por isso gostava de usar pouca roupa, o que para Rafa, um verdadeiro engatatão, representava um perigo constante! Incapaz de se conter nos olhares e nos comentários a Lily, não eram raras as vezes em que tais abusos terminavam em danos à sua integridade física, o que certamente tinha acontecido momentos antes da chegada das visitas.
O grupo estaria completo com Miguel, o melhor amigo de Alex, e Marian, uma anjo que passara a viver na Terra para melhor compreender a humanidade, mas estes estavam ausentes.
A presença destes personagens, que não eram de todo o que esperara, estavam a deixar MoonShine cada vez mais curiosa para conhecer o tão falado Kaiser, e a sua surpresa foi enorme quando por fim o conheceu. Kaiser saltou da marquise para a sala, a sorrir alegremente, mas surpreendido com a primeira visita de Papier em três anos e cumprimentou-o ironicamente. Tinha o aspecto de uma bola flamejante, com um sinal em forma de espiral na testa, acima dos enormes olhos azuis, protegidos por óculos de sol. Estava claramente divertido.

Papier foi direito ao assunto, uma vez que não havia tempo a perder e explicou a Kaiser a razão da sua visita e o perigo que Edward Craft e o seu Artefacto Demoníaco representavam. Kaiser ficou rapidamente sério à medida que ouvia Papier e Moon foi surpreendida mais uma vez, quando viu o demónio completamente focado, com uma aparência completamente diferente, agora alto e magro, quase humanoide, não fosse o seu rosto flamejante e a cicatriz brilhante que pulsava no seu peito. Quando Papier acabou de falar, Kaiser fez uma pausa e perguntou por fim se os jovens já tinham ouvido falar em Cthulhu?...


Os Mitos de Cthulhu contam que a Terra primordial foi dominada pelos Grandes Antigos, criaturas terríveis que vieram dos recantos mais sombrios do Universo e que representam o próprio Caos, demonstrando que há algo tão terrível e cruel lá fora que nos obriga a ficar limitados à nossa realidade, sob pena de perder a sanidade, e Cthulhu é o maior representante desses seres.
O Culto de Cthulhu existe desde que a Humanidade foi criada pelos Grandes Antigos, e venerou-os enquanto estes se mantiveram na Terra, na mítica cidade de R’lyeh, mais conhecida por Atlântida. Quando a cidade foi submersa, Cthulhu ficou aprisionado e adormecido lá dentro, mas até hoje o Culto nunca desapareceu, com o objectivo de reerguer o seu senhor. Quando tal acontecer, Cthulhu chamará de volta os Grandes Antigos e estes dominarão a Terra.
O Ceptro que Craft descobriu é Despair, uma Arma que se diz controlar a Gravidade, e é um dos símbolos do poder da Criatura que segundo a lenda, quando observada, exerce uma tremenda influência na mente humana, desde o simples provocar de pesadelos até à completa insanidade, ou neste caso, a perda de memória e obediência cega. É uma Arma Amaldiçoada que não deve ser manejada levianamente, por se alimentar da alma do seu portador, o que também explica o aspecto debilitado do Líder da Ordem XIII. Mas isso não o torna menos perigoso, provavelmente será o contrário.

Papier ouviu Kaiser com toda a atenção, mas não estava totalmente crédulo. Tal teoria parecia incrivelmente rebuscada. Craft até poderia fazer parte desse Culto e poderia ter esperado o momento certo para acordar Cthulhu do seu sono de milénios, mas para o jovem, Craft era simplesmente louco. Perigoso mas louco. Moon estava mais interessada em saber como reverter os efeitos da Despair, mas Kaiser não soube responder. A forma mais segura seria deixar o afectado inconsciente, mas não havia forma de confirmar se tal resultaria da mesma forma que resultou com Moon. Destruir Despair seria a opção mais lógica…
De qualquer forma, mesmo com as novas informações de Kaiser a missão do par não mudou, quanto muito ficou mais definida – Salvar Zack, derrotar Craft, destruir Despair e impedir o Chamado de Cthulhu.


Depois de se despedirem dos rapazes e dos demónios, Papier e Moon voltaram ao Mustang, sem a certeza de terem ouvido boas ou más notícias. Obviamente enfrentavam um louco, mas isso podia não ser positivo para Zack. De qualquer forma o facto de o mundo ainda existir era sinal que o plano de Craft ainda não tinha sido posto em prática, o que era claramente uma boa notícia… Sem pensar mais no assunto saíram do edifício e encontraram Shade à sua espera, encostado ao Mustang.

Shade descobrira que Craft estava em Lisboa, mas preparava-se para partir para o seu navio aportado em Aveiro, para iniciar uma viagem marítima pelo Atlântico, o que batia certo com a história que tinham ouvido de Kaiser e que só queria dizer que ele estava mesmo à procura da localização de R’lyeh para reviver Cthulhu.
Shade ficou então a par das revelações e concordou com o diagnóstico que Papier traçou de Craft. Moon retorquiu que não estava interessada no estado mental do inimigo, queria apenas resgatar o pai, o que fez com que os rivais se entreolhassem e sorrissem, como que ouvindo Zack dizer aquelas mesmas palavras. Não havia mais nada a dizer.

O Mustang rugiu satisfeito, enquanto os riffs de Highway to Hell guiavam os jovens que deixavam Adelaide, avançando rumo a um mesmo destino...


● Le Papier Shine On: Order XIII - 2.ª Parte

22 abril, 2016 2 Comentários
O silêncio imperava no escritório perante a declaração de Shade. Papier achava difícil de acreditar que Roland Black, o líder dos S.O.M.B.R.A. pudesse ser surpreendido por qualquer inimigo de forma tão definitiva. Apesar de esgotado, Shade explicou os contornos dos eventos que se sucederam na madrugada anterior e que o deixaram naquele estado.


Desde o seu início décadas atrás até à ascensão de Roland Black, os SOMBRA sempre se marcaram por uma procura incessante de poder. Mas a verdade é que desde o último confronto com Papier que os métodos implacáveis da Organização mafiosa se tornaram muito menos malignos, inclusivamente auxiliando a Divisão A.R.M. da Interpol no evento X-Over, tendo mesmo sido decisivos na vitória dessa dura e inesperada batalha, fruto das influências de Black e Shade, o seu braço direito.
Os SOMBRA são divididos em múltiplas Ordens, sendo a principal a Ordem Zero, designados por NeroSlayers, a guarda de elite de Black, e terminando na Ordem XIII, o esquadrão de Operações Especiais, especializados em missões ocultas e espionagem. Esta Ordem é liderada por Edward Craft, um homem discreto que sempre se manteve afastado das políticas levadas a cabo pelos SOMBRA, mas eventualmente tal atitude alterou-se consideravelmente ao longo dos últimos meses e anos.

Craft não era adepto desta nova filosofia de Black e depois do X-Over tornou-se cada vez mais alheio à Organização, algo que acabou por levar Black a tomar medidas e pediu a Shade que o investigasse e à sua Ordem profundamente. O que Shade descobriu preocupou-os bastante, pois Craft estava a brincar com fogo... Passara os últimos anos a estudar todos os mitos que descobriu relacionados com Relíquias Demoníacas, e procurou incessantemente encontrar uma em particular que, tudo indicava, tinha o poder de permitir ao seu utilizador controlar mentes… mas tanto quanto se sabia, Craft ainda não a possuíra.

A surpresa maior veio quando Black, na posse destas informações, partiu para confrontar Craft, apenas para se ver frente a uma rebelião por boa parte dos seus homens, que se voltaram contra ele, influenciados pelo líder da Ordem XIII.
Os NeroSlayers liderados por Shade mantinham-se fiéis e fizeram de tudo para combater os motinados, mas eventualmente tiveram de dar a batalha por perdida. Até Shade se viu em dificuldades, numa luta muito intensa com uma jovem rapariga de cabelos negro-azulados e olhos inexpressivos, armada com uma foice dupla de lâminas azuis que se mostrou intransponível.
Papier estremeceu ao ouvir o relato, mas a história ainda não terminara... Forçados a retirar, os NeroSlayers levaram Roland para fora do edifício, mas não sem este ser baleado nas costas, deixando-o numa situação de gravidade extrema.

As últimas palavras de Roland para Shade antes de perder a consciência foram no sentido de procurar Papier. Os NeroSlayers ficaram encarregados de cuidar e proteger Roland e Shade voltou a Coimbra tão rápido quanto possível.


Zack parecia ter ganho alguma sobriedade e Papier não sabia o que pensar sobre as consequências de uma Guerra Civil no seio dos SOMBRA... Também ele contou imediatamente aos dois os acontecimentos por que passou em Aveiro, a arrepiante carga com que os soldados desapareceram e o seu combate com a misteriosa e bela rapariga, sem dúvida a mesma que enfrentara Shade.
A expressão de Shade continuava severa, mas foi a reacção de Zack que mais preocupou Papier. O mestre estava a suar frio, pelo que Papier pensou que a ressaca estivesse a atingi-lo, mas o seu olhar verdadeiramente assustador deitou esse pensamento por terra. O jovem tentou comunicar com ele, mas Zack não teve qualquer reacção... De seguida foi deitá-lo no sofá a descansar.
Papier não deixou de mostrar o seu pesar perante o destino incerto de Black e garantiu a Shade que iria partir imediatamente para Lyon, à sede da Interpol, para reunir com o General Zed, líder dos ARM, para traçarem um plano contra a Ordem XIII, ao que Shade respondeu com silêncio, desaparecendo na noite.

Papier preparou-se rapidamente para a longa viagem que o esperava, pegou num novo casaco, e preparou-se para partir quando Zack se ergueu do sofá, declarando que iria acompanhá-lo a Lyon. Papier achou a atitude do Mestre altamente irregular, mas não insistiu nem fez perguntas. Ele explicaria tudo o que lhe passava nos pensamentos no momento certo, mas a sua preocupação com o estado de Zack era evidente. Por outro lado, a sua presença ao seu lado dava-lhe muita confiança no seu sucesso, pois os talentos do seu mestre eram inegáveis.
A viagem passou num ápice, pois após o amanhecer Zack voltara a ser ele próprio, animado e gozando constantemente com a condução segura de Papier, apelidando-o de velhinha e massacrando-o durante boa parte do caminho. Na manhã seguinte chegavam ao seu destino.

Papier saiu do Mustang e avançou para entrar no edifício, mas notou que Zack desaparecera. Encolheu os ombros e prosseguiu. Identificou-se na entrada e estranhamente o seu nome não constava no sistema. Obviamente teria ocorrido algum problema, mas como detective que era não podia acreditar em coincidências e por isso recuou, apenas para entrar sorrateiramente pouco depois.
Papier procurava os escritórios de AK-07 e Knox Park, velhos amigos e companheiros de muitas missões ao longo dos anos. Subiu até ao sexto piso, mantendo-se oculto das câmaras de vigilância e chegou por fim à Sala 66. Mais descansado, entrou casualmente no escritório e cumprimentou o seu par de amigos que se encontravam a jogar PlayStation, sem uma única preocupação… até àquele momento.
Sobressaltados pela presença de um intruso, os dois agentes levantaram-se com um salto e apontaram as suas armas a Papier que achou tal comportamento uma piada. Ainda esboçou um sorriso quando notou o olhar dos velhos amigos… vazio e desprovido de expressão, tal como a rapariga no porto. O sorriso morreu-lhe do rosto, enquanto tentava chamar à razão os velhos companheiros que agora o tomavam por desconhecido, situação que o estava a levar à beira do desespero. Sem compreender nada do que se passava, viu-se forçado a recuar e percebeu que já era procurado pela Interpol, que selara o edifício para que ninguém saísse ou entrasse.

Confuso, dirigiu-se em velocidade não para a saída mas para os andares superiores. Tinha de confirmar se o General Zed também se encontrava naquela situação inesperada, e para isso foi forçado a combater com os inocentes agentes que se aproximavam a cada corredor. Estava a subir a escada de acesso ao décimo andar quando AK e Knox o confrontam. Anos de aventuras e de amizade invencível não significavam nada neste momento em que Papier, ainda que contendo-se instintivamente, atacou os dois agentes que dispararam contra si com intenção de matar.
Esquivou-se dos tiros e golpeou os seus punhos, despindo-os aos dois simultaneamente dos revólveres que empunhavam. Estes retaliaram e a forma como lutavam em conjunto e a fantástica equipa que criavam era a mesma que recordara desde havia tanto tempo. Esse conhecimento ajudou muito Papier a evitar e devolver os golpes dos oponentes, que não possuíam qualquer memória das habilidades do jovem.
Conseguiu afastar Knox, o mais talentoso em combate corpo-a-corpo, com um pontapé contra a parede, agarrando AK em seguida, fazendo-lhe uma gravata que após alguns segundos o deixou inconsciente. Deitou-o cuidadosamente no chão e nesta altura Knox já estava recuperado e atacou rapidamente, não contendo a ira que o consumia. Papier evitou os ataques com todas as cautelas, consciente que Knox acabaria por ficar exausto com tamanho ímpeto, momento por que esperou e que aproveitou quando este surgiu. Knox fraquejou e o jovem, rapidíssimo, atingiu-o com um golpe na nuca que o deixou sem sentidos. Ao ver os amigos caídos no chão, Papier sentiu-se preso num pesadelo, ansioso por acordar.

Chegava por fim ao escritório do General Zed, este rodeado por agentes da Divisão ARM. Papier, ainda afectado pela luta contra os seus amigos estava sem paciência para ser atrapalhado, por isso e para terminar com este jogo assombroso sacou pela primeira vez das suas Desert Eagles gémeas e deu início a uma dança de balas que deflagrou por todo aquele espaço.
Com tanto cuidado quanto possível para não ferir mortalmente os agentes que se opunham a si, Papier usou as paredes para ziguezaguear e evitar os disparos, usando a sua velocidade para confundir os adversários que, não raras vezes, disparavam contra os próprios companheiros. Alguns segundos depois, o jovem era o único em pé.


Papier entrou no amplo espaço que era o escritório de Zed, com uma vista impressionante para a cidade, mas o seu olhar prendeu-se no trio que tinha à sua frente: a jovem rapariga que enfrentara no porto de Aveiro à esquerda; um homem de meia-idade, alto, de cabelo negro e extremamente pálido que concluiu tratar-se de Edward Craft ao centro; e o General Zed, sentado confortavelmente à sua secretária, fitando-o com o mesmo olhar inexpressivo que significava que estava sob a mesma espécie de efeito hipnótico que a jovem e os seus amigos. Papier exigia explicações e Craft, como o seu olhar arrepiantemente penetrante denunciava, era o único que lhas podia conceder, no entanto o líder da Ordem XIII manteve-se em silêncio. Dirigiu um gesto simples à rapariga e esta avançou. Papier preparou-se para o combate, mas travou-se quando ouviu o som de passos vindos do corredor, e no segundo seguinte Zack Thunder irrompeu pelo escritório.
Zack estava sério como Papier há muito não o vira e o jovem compreendeu que havia ali alguma ligação que se mantinha oculta para ele, mas o Mestre rapidamente o elucidou. Dirigindo-se a Craft, o incrivelmente furioso Zack bramou num rugido querer saber o que ele tinha feito à sua filha MoonShine!
Papier estava em choque, Zack nunca falara do seu passado e tendo em conta a sua personalidade algo infantil, nunca o imaginou como pai de família, se bem que, bem vistas as coisas, era precisamente isso que o seu Mestre representava para ele e Shade. Igualmente inesperada foi a reacção de MoonShine ao ouvir o seu nome. Papier podia jurar que observara por um instante um brilho nos seus olhos, como se qualquer que fosse o feitiço sob o qual se encontrava, este tivesse sido quebrado, embora apenas momentaneamente, pois no instante seguinte a jovem investia sobre aquele que declarara ser seu pai.
Zack foi rápido como um relâmpago e num ápice evitou o ataque de Moon e abraçou-a delicadamente, gesto que a confundiu, antes de desmaiar nos braços do seu pai.
O Mestre pegou na rapariga ao colo e confiou-a a Papier, para que este a levasse para casa até que ela recuperasse. Revelando que este era o efeito de uma Relíquia Demoníaca e que os seus efeitos não eram, em princípio, permanentes, manter-se afastada de Craft e dos poderes de tal Artefacto eram o remédio de que MoonShine precisava. Ordenou por fim a Papier que este partisse imediatamente.
Completamente dividido, Papier sabia que não podia desobedecer ao seu Mestre, mas deixá-lo sozinho contra um oponente tão misterioso e perigoso como Craft era um risco demasiado grande. Compreendendo o dilema do seu aprendiz, Zack garantiu encontra-lo em 24 horas, mas como tal promessa não foi suficiente fulminou Papier com o olhar, dissipando quaisquer dúvidas da sua mente e o jovem, relutantemente, virou-lhe as costas.

Papier chegara rapidamente ao átrio do edifício, pois todos os agentes haviam sido derrotados, cortesia de Zack, e ao dirigir-se para a saída, um vulto impediu-o de avançar. Dani Shade esperava a sua oportunidade para se vingar do ataque a Roland e MoonShine era o alvo da sua fúria silenciosa.
Compreendendo as intenções de Shade, mas duvidando seriamente que o rival conseguisse ser frio a tal ponto, Papier avançou enquanto o rival desembainhava a sua katana. Frente a frente, os aprendizes de Zack eram novamente adversários, uma sensação não de todo desconhecida. Papier pediu a Shade que fosse ajudar Thunder na luta com Craft, uma vez que ele não podia sob pena de quebrar a sua promessa ao Mestre. Shade sorriu amargamente declarando que não podia fazer tal coisa. Papier contou a Shade da verdadeira identidade de MoonShine e da extensão conhecida dos poderes que enfrentavam, e foi difícil perceber qual das revelações surpreendeu mais o rival.
Papier aproveitou o choque do Mercenário para sair do edifício e Shade, sem dizer uma palavra, manteve-se imóvel durante alguns segundos, até que decidiu por fim avançar.


MoonShine dormiu profundamente durante toda a viagem até Coimbra e depois disso continuava em repouso. Papier não conseguia estar tranquilo e sentia-se culpado pelo abandono do seu Mestre, mas que outra opção tinha? Não podia pisar no orgulho de alguém tão importante para si e que tanto lhe dera…

Algumas horas depois, Shade entrou no Grand Chaos, mas o alívio que Papier sentiu ao vê-lo depressa se dissipou quando este declarou que nunca chegara a encontrar Zack… Zed estava inconsciente no seu escritório e quando recuperou a consciência não só não tinha memória de nada do que se passara naquele dia, como simplesmente não o reconhecia.
Papier não estava surpreendido, mas não comentou mais nada com o rival. As 24 horas haviam passado e finalmente MoonShine acordou. Ao sair do quarto a rapariga observou os dois rivais, ainda confusa. Papier viu-a verdadeiramente pela primeira vez e não teve quaisquer dúvidas. Ela era simplesmente linda. E a chave de todo o mistério…


● Le Papier Shine On: Order XIII - 1.ª Parte

15 abril, 2016 2 Comentários
Em Coimbra a noite era fria como se a Primavera teimasse em não surgir. A chuva caía abundantemente ou não fosse Abril o seu mês de eleição, mas como se tais condições meteorologicamente adversas não tivessem qualquer importância, um vulto emergia das trevas para a luz da cidade… O seu casaco negro comprido, óculos escuros, botas All-Star e mala de guitarra (que alberga a Gunblade Ultima) coincidiam com a descrição de Le Papier, o detective que desde há treze anos se tinha tornado numa lenda urbana na cidade.
Silenciosamente, coloca a guitarra na mala do seu clássico Ford Mustang de 65 e afasta-se em velocidade.

Le Papier fora o responsável por acabar com a guerra que envolveu a Máfia liderada pelos S.O.M.B.R.A., uma poderosa Aliança de Conglomerados Empresariais. Depois de várias batalhas ao longo dos anos, a influência desta Organização foi enormemente reduzida mas não obliterada, mesmo após vários anos adormecida.
Papier foi também uma das figuras que esteve presente no Evento X-Over, uma enorme batalha que revelou ao mundo a existência de seres poderosos e sobrenaturais… Anjos, Demónios, Bestas e uma poderosa entidade Apocalíptica lutaram ferozmente pelo domínio das preciosas Almas humanas, mas felizmente, depois deste incidente, foi criada uma trégua entre estas Entidades, que se tem revelado duradoura…
Independentemente de tais acontecimentos, a vida continuou para o jovem, que não parou de combater os malfeitores que encontrou no seu caminho, e os níveis de actividade criminal nunca estiveram tão baixos… Mas o vento pode mudar rapidamente…


Aveiro. A chuva deu tréguas por fim e Papier podia deambular pelas ruas à vontade… Era hora de trabalhar!
Nos últimos tempos, os únicos clientes que tem tido têm sido casais com níveis de desconfiança em relação ao seu cônjuge tão altos que a paranóia se instalou completamente, e foi mais uma senhora preocupada com hipotéticos apêndices que pudessem estar em crescimento na sua cabeça que levaram o jovem à Veneza portuguesa. Agora seguia-se uma rusga intensiva pelos bares e discotecas da cidade, o que se podia revelar perturbador, dado o enorme aglomerar de ritmos kizombianos que se propagam na atmosfera nocturna actual, mas Papier veio prevenido com música de bom gosto e headphones com volume no máximo.
Infelizmente ou não, a demanda de Papier depressa chegou ao fim, pois mal chegou ao Autocarro Bar notou imediatamente a presença do marido infiel da sua cliente, agarrado a duas jovens que, tendo em conta os olhares de desdém que trocavam entre si, eram claramente profissionais em noite não. Papier sorriu para o indivíduo que retribuiu com um olhar confuso, seguindo o seu caminho. Fotos tiradas e enviadas, estava assim mais uma missão simples cumprida com sucesso.


Papier estava a passear pela zona portuária de Aveiro, a aproveitar os intrincados riffs de Black Dog, quando algo chamou a sua atenção… Movimento muito acima do que seria natural e uma concentração fora do comum de personagens num cais próximo… Sem pensar duas vezes, Papier aproximou-se rápida e furtivamente, aproveitando as sombras da noite e movendo-se em silêncio.
Um cargueiro estava aportado e um grupo numeroso de indivíduos descarregava os seus contentores para um camião de forma eficiente e com muita organização, mas ao aproximar-se, Papier conseguiu vislumbrar que um par de soldados foi traído pelo terreno escorregadio e uma das caixas que transportavam caiu ao chão, revelando o seu conteúdo: Vinis que serviam de cobertura para um recheio constituído por armas e peluches que ocultavam munições em grande número…
Esta era apenas uma das muitas caixas do tamanho de um adulto que os soldados fortemente armados com equipamento de alto calibre estavam a mover aos milhares, mas houve algo que o intrigou ainda mais… um caixote enorme, que precisou de quatro homens para o transportar desceu do cargueiro, e uma figura encapuzada por um longo manto negro aproximou-se para conferir o conteúdo. Deu um golpe seco com o punho no cadeado e este desfez-se como se fosse feito de papel. Abriu a tampa e nesse momento todo o ambiente à volta desta operação se alterou, deixando Papier estupefacto. No caixote encontrava-se uma espécie de pilar, arrepiante como nunca o jovem havia visto, esculpido em pedra negra coberta de algas, decorada com inscrições aparentemente muito antigas que lhe conferiam uma aura extremamente misteriosa e com um baixo-relevo no seu centro, mas a forma como a escultura fora feita não permitia que Papier o conseguisse vislumbrar à distância, no entanto, foi algo que deixou os soldados que ali se encontravam totalmente aterrorizados!
A figura encapuzada deixou cair a tampa com um estrondo e, como se um interruptor se tivesse activado, os soldados voltaram ao trabalho, ainda que com olhares desconcertantes, que mostravam que o que quer que estivesse naquele caixote era algo verdadeiramente maligno. Algo tinha de ser feito… e Papier recuou até à obscuridade, abriu o porta-bagagens do Mustang e passou as mãos pela mala da sua guitarra, pronto para voltar à acção e tornar aquele cais num autêntico Pandemónio!


Papier irrompeu rapidamente pelo cais e empurrou os dois guardas da entrada, abraçando-os pelas costas e deixando-os imediatamente inconscientes. Escondeu-os na obscuridade e subiu para um contentor, avançando rapidamente para onde os soldados se concentravam, eliminando mais três homens, indefesos perante o ataque silencioso e predatório de Papier.
Depois de se desembaraçar do terceiro, notou alguma comoção por parte dos soldados que restavam, quem sabe alertados da sua presença? Tal era improvável, dada a eficiência brutal com que Papier se desembaraçara dos homens que encontrara pela frente, mas esta era a hipótese mais provável. Correu ao seu encontro, e deu por si isolado, com o camião a desaparecer em velocidade, deixando atrás de si um rasto de poeira. Papier voltou-se e viu-se frente-a-frente com a figura encapuzada que vira antes e que liderava os soldados. A iluminação do porto falhou e apenumbra envolveu-os.
Imóveis durante os segundos que se seguiram, os dois quase conseguiam tocar a tensão que existia entre eles naquele momento, iluminados apenas pela lua quase cheia e pelo céu carregado de estrelas.
O Encapuzado ergueu lentamente a mão que escondia atrás das costas, revelando uma enorme foice dupla com lâminas azuis, que não deveriam ser muito diferentes em constituição da sua espada Ultima, o que por si só já era incomum, alertando Papier que a ergueu em resposta. A batalha teve início.
Papier lançou-se em velocidade com golpes rápidos e precisos que o Encapuzado desviou com enorme destreza e agilidade. De estatura mais pequena e aparentemente mais frágil que Papier, a figura de negro conseguia evitar a lâmina de Papier sem grandes problemas, mas após tanto defender decidiu por fim passar ao ataque!
Empunhou a foice com as duas mãos e lançou-se em velocidade contra Papier com uma série de movimentos quase invisíveis ao olho humano, aos quais o jovem reagiu instintivamente, porém não foi rápido o suficiente para impedir um corte profundo no seu braço direito e um arranhão no rosto… bem vistas as coisas, teve bastante sorte. Ao observar o sangue a escorrer-lhe do rosto e sentir a dor que lhe percorria o braço, deixando-o algo dormente, Papier notou o quanto estava enferrujado em matéria de combate, mas também o quanto esta explosão de adrenalina o deixou empolgado, deixando-o mais focado, e ao observar o sangue a escorrer-lhe do rosto e convencido de vez do adversário temível que tinha pela frente, estava pronto para o segundo assalto.

O choque das lâminas era tal que o porto se iluminava por instantes a cada impacto. O som de aço contra aço compassado ao ritmo da respiração controlada ao extremo pelos dois oponentes contrastava com o rugido do mar revolto que rebentava com estrondo à medida que a chuva recomeçava a cair com uma intensidade cada vez maior…
Completamente equilibrados, Papier ligeiramente mais forte, o Encapuzado um quanto mais rápido, mas de destreza impressionantemente semelhante, os dois gladiavam-se ininterruptamente à medida que a chuva os ensopava, tornando-os mais pesados e consequentemente mais lentos, algo a que Papier não se podia arriscar, uma vez que a ferida no seu braço já o limitava suficientemente. Era a primeira vez em muito tempo que se sentia desafiado desta forma e a sensação era mais agradável do que algum dia admitiria a si próprio, mas não podia continuar assim. Um mero deslize podia significar o fim da luta e a figura de negro também tinha plena consciência disso, e por isso decidiu acabar com a luta antes que o seu arrastar pudesse tornar-se problemático.
Num movimento de impressionante agilidade, o Encapuzado deu um salto para trás ao mesmo tempo que rodopiava sobre si mesmo e soltava a foice num impulso que lhe transmitiu uma velocidade assombrosa, e que Papier só conseguiu evitar com uma combinação de reflexos rápidos e pura sorte, caindo no chão enquanto o seu longo casaco era cortado em dois. O ataque todavia não tinha terminado e a foice voltava em velocidade para o seu dono que se projectou no ar para a readquirir e num gesto rapidíssimo segurou-a com firmeza e golpeou Papier que bloqueou instintivamente com a Ultima, ficando com a lâmina adversária a centímetros do rosto.
Impressionado mas não derrotado, Papier soltou a lâmina mais curta de Ultima do corpo principal e lutou para se soltar do Encapuzado que estava agora finalmente a mostrar cansaço. Num último esforço e com o adversário quase tão esgotado como ele, Papier atacou sem tréguas, fazendo a figura de negro recuar como nunca. Usando as lâminas duplas para ganhar vantagem no combate, o jovem conseguiu quebrar as defesas do Encapuzado que, numa tentativa de esquivar o ataque de Papier, deixou que o seu capuz fosse rasgado, e ficou desmascarado… expondo um rosto que deixou Papier algo atordoado durante alguns segundos, tempo suficiente para a figura se recompor e recuperar o equilíbrio perdido.
O capuz desfeito que foi em seguida atirado para o chão revelou a Papier uma jovem rapariga esbelta e extremamente atraente, com longos cabelos negros que ao luar transpareciam um tom azulado e uns olhos escuros que pareciam estranhamente vazios de expressão. Trocaram olhares durante um momento e a jovem acabou por desaparecer no instante seguinte na escuridão da noite chuvosa.


Papier voltou a Coimbra ainda confuso com o rumo que a noite tinha tomado. Tinha percorrido o porto à procura de pistas daquela estranha operação, mas após quase uma hora de investigação não encontrou nada que valesse a pena reter. Aqueles soldados eram claramente profissionais… e a sua jovem líder não lhe saía da cabeça, nem o seu olhar distante e vazio, que destoava completamente das suas restantes feições… a sua presença ali era um mistério para ele, tal como aquele estranho e assombroso pilar negro que ainda lhe transmitia arrepios só de pensar nele.
Entrou no Avalanche 21, o bar do seu grande amigo Diego e qual não foi o seu espanto ao dar de caras com Zack Thunder, o seu velho Mestre, que segundo Diego tinha vindo fazer-lhe uma visita à cidade mas acabou por se empolgar um pouco e estava agora visivelmente embriagado e a meter conversa amigável com um grupo de universitários ali presentes, e claramente com enfâse nas raparigas do grupo. Papier foi calmamente buscar o seu Mestre que se mostrou muito feliz em vê-lo, embora também aborrecido pelo tempo que passou à sua espera. A sua bipolaridade na presença de álcool era algo que o jovem conhecia bem e que até o divertia um pouco, mas era tempo de deixar o seu velhote descansar.

Papier levou Zack pelos ombros enquanto este se divertia a mandar piropos às jovens que passavam por eles saídos dos bares e discotecas, algo a que Papier não achava especial piada, sobretudo quando Zack fazia gestos extravagantes com os quais elas se divertiam bastante. Quando chegaram ao Mustang e por fim ao Grand Chaos, o escritório de Papier, este estava esgotado.
Arrastaram-se até à porta, que Papier notou ter um vidro partido. Poucos teriam a coragem de assaltar o jovem, pelo que sacou da sua Desert Eagle, não fosse o diabo tecê-las.
Ao entrar no escritório, esperava-o sentado no sofá e semi-ocultado pela obscuridade Dani Shade, o seu amigo de infância e grande rival, visivelmente com mau aspecto, que Papier fez questão de notar, e que se agravou ao levantar-se pois foi possível notar múltiplas feridas no rosto e manchas de sangue na roupa outrora impecável. O seu rosto estava rígido como pedra. Até Zack ficou subitamente sério.

Shade falou por fim após alguns momentos – Roland Black fora atacado... Estava entre a vida e a morte...


 
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