● All Hell Breaks Loose: Reckoning - 3.ª Parte

09 novembro, 2012
O Castelo Ashley era um exemplar impressionante de arquitectura gótica, decorado elegantemente e que fazia lembrar alguns dos mais históricos monumentos da Terra da época da Idade Média. O grupo chegou ao salão principal do Castelo onde aguardaram em frente à grande escadaria que levava ao andar superior.
Alguns segundos de silêncio ensurdecedor foram for fim quebrados com o som de passos a aproximar-se vindos das escadas. Uma dezena de vultos aproximava-se, que fez com que Lily se baixasse em vénia, lançando ao grupo um olhar frio que os levou a fazer o mesmo quase automaticamente.

As Ashleys eram incrivelmente belas, altas e de pele clara, com cabelos prateados com leves tons violeta que ao balançar soltavam pequeníssimos flocos de gelo que brilhavam como diamantes e olhos frios que mostravam que apesar da aparência bela e delicada, todas eleas eram guerreiras que poderiam matar sem hesitar. Alex não conseguiu deixar de imaginar qual seria a verdadeira aparência de Lily por trás da jovem que lhe emprestava o corpo.
A Matriarca do Clã, Emma, aproximou-se dos jovens e levou-os a outra sala para falarem. Depois de ter dado as boas-vindas a Lily, fez-lhe notar que sabia do que se tinha passado com Kaiser e lamentou que tenha sido o seu irmão Frost o responsável pelo seu destino. Lily explicou que eles pretendiam resgatar Kaiser, prisioneiro na Pandemonium, e que precisavam de uma forma de chegar lá. Emma já suspeitava que Lily tentasse tal coisa, mas a Cidade-prisão não era local para os fracos, por isso tinha o meio de transporte ideal que também serviria de teste ao seu poder, uma das Grandes Bestas: Mateus.

Mateus é um ser poderoso que foi exilado numa das Ilhas Ten e para a qual existe uma forma de teleporte. Emma levou-os ao topo da torre oeste do castelo, onde parecia não haver nada a não ser uma pilha de gelo. A Matriarca estalou os dedos e o gelo começou a arder de forma violenta com chamas púrpura, enquanto a tempestade que antes não entrara nos muros do castelo agora os envolvia furiosamente. Lily agradeceu a Emma pela ajuda e sem mais palavras saltou para as chamas, nas quais desapareceu. Sara, Rafa e Miguel entraram em seguida, mas quando Alex se preparava para também ele saltar para as chamas acabou travado.
Emma disse-lhe que aquela missão era quase impossível, mas Lily não poderia ser travada, pois ela daria a vida por Kaiser, afinal ele tinha sido o responsável por devolver a honra ao Clã Ashley, de quem ela tanto se orgulhava por pertencer. Para que eles pudessem voltar com vida do resgate, Alex e Kaiser teriam que encontrar a sincronia perfeita, entre as vontades dos dois, pois mais forte que um demónio antigo como Ashura, só mesmo a determinação de um humano. Alex agradeceu e prometeu que não falharia nem deixaria que nada acontecesse com Lily, entrando em seguida no Portal de Chamas.


Dois passos depois, Alex estava no céu sob um vento fortíssimo e não encontrava sinais de vida à sua volta. Andou um pouco e descobriu o grupo a lutar furiosamente contra enormes lobos brancos que os cercavam. Qual não foi o seu espanto ao vê-los desembaraçarem-se deles sem grandes dificuldades. Ele não tinha sido o único a tornar-se mais forte ao longo do último ano.
Rafa dominou o lobo com um único golpe do seu fiel taco de baseball, Miguel nem parecia o calmo jovem de habitualmente ao usar toda a sua habilidade ganha em Shoot’em up’s para abater a tiro o seu próprio adversário. Já Sara teve apenas de fazer um pequeno movimento para envolver o lobo no seu chicote laminado retalhando-o em seguida. Claramente estes jovens não precisavam de ajuda, só faltava mesmo a demónio Lily, que Alex não encontrava.
Os quatro avançaram rapidamente pela pequena ilha rochosa, até que sentiram a temperatura baixar extremamente rápido, o que só podia significar uma coisa, Lily já estava a lutar.

Correram o mais que podiam para ajudar a companheira mas tiveram uma grande surpresa. Ao chegarem à pequena clareira onde o enorme Mateus descansava, notaram que a temperatura tinha descido não por acção de Lily mas por acção da Besta que mostrava o seu poder à jovem enquanto rugia ferozmente. Aquela reacção lembrou Alex do famigerado Chaos, a Besta de Kaiser, que sempre rugia furiosamente enquanto destruía os seus adversários. Lily não se mostrou impressionada e também ela mostrou a que vinha. À sua volta surgiu uma aura de gelo violeta que a envolveu, baixando ainda mais a temperatura até à centena de graus negativos. Desembainhou as katanas e com um golpe rápido cortou Mateus que ficou ainda mais furioso pela afronta.
A Besta irritou-se ainda mais, levantou a sua enorme lança e atacou Lily que se esquivou rapidamente. Ao levantar a cabeça, Lily notou que a Besta fez sair do seu peito o corpo pálido de uma jovem que usava agora como escudo. Lily reconheceu a jovem como uma membro do seu clã que se julgava ter sido vítima da Guerra. Completamente fora de si, atacou Mateus Com tudo o que pôde apenas para ver a Besta usar o corpo da jovem para se defender.

Os jovens assistiam a tudo, até que Alex notou algo, Mateus não atacava Lily, ele apenas tentava afastá-la, o que só queria dizer uma coisa, ele só estava a testá-la. Alex gritou a Lily para que parasse e se acalmasse, pois se Mateus quisesse feri-la já o teria feito. Lily estava confusa, enquanto Mateus balançava a lança para a afastar com a energia que libertava.
A jovem parou então de lutar e ao meio do som do vento ouviu um gemido que clamava por ela e pôde por fim ouvi-lo claramente. Lily observou a jovem no peito de Mateus e viu que sorria enquanto a Besta se dissipava sob a forma de um pequeno cristal que flutuou para as mãos da demónio.
O grupo tinha um novo aliado e Lily agradeceu a Alex por a ter ajudado a perceber as intenções de Mateus. Aparentemente, a Besta apaixonou-se pela jovem que foi vítima de um ataque de anjos. A única forma de salvá-la a tempo foi uni-la a seu coração, literalmente. Claro que tal ideia não foi aceite pelas Rainhas do Gelo e como não havia forma de libertar a jovem sem fazê-la perder a vida, Mateus foi enviado para esta Ilha onde ficaria exilado para o resto da eternidade.

Lily quebrou então o cristal e Mateus surgiu novamente, respondendo à sua chamada. Lily pediu-lhe então que os transportasse a Pandemonium, a que a Besta acedeu imediatamente. Mateus converteu então todo o grupo em cristais de gelo minúsculos que foram levados pelo vento até à grande cidade-prisão, onde a sua determinação ia ser posta à prova contra alguns dos oponentes mais poderosos que poderiam alguma vez enfrentar.


Pandemonium era diferente de tudo o que já tinham visto em Gaia. Apesar de ser dia no rochedo, na cidade-prisão era sempre noite cerrada e chovia incessantemente. A paisagem era composta por edifícios até onde a vista podia alcançar, como uma imensa zona urbana, onde os mais diversos grupos de prisioneiros lutavam pela sobrevivência em anarquia total… contra Bestas enormes que os perseguiam sem descanso. Além disso, todos eles tinham recompensas pelas suas cabeças pelo que podiam trocar as vidas dos companheiros por períodos de repouso no Edifício Central.
Com aquele cenário avassalador pela frente, o grupo teria que encontrar forma de chegar ao centro do Rochedo onde Kaiser estaria preso.

O grupo conseguiu evitar os holofotes que aleatoriamente circulavam pela prisão. Abrigados pelas sombras e com a chuva a disfarçar os sons que faziam ao mover-se, bem como a anular o “cheiro a humano”, conseguiram infiltrar-se sem dificuldades de maior na cidade.
Correram por entre prisioneiros e criaturas demoníacas que fizeram da Prisão o seu habitat, e após algumas horas de avanços e recuos, lutas cara-a-cara e ataques sorrateiros com inimigos constantes, finalmente chegaram ao imponente edifício central da Pandemonium. O verdadeiro desafio começava agora.
Os cinco entraram silenciosamente no prédio e qual não foi o seu espanto ao notarem que ninguém o guardava. O que se escondia naquele edifício onde, por mais que os prisioneiros estivessem desesperados por escapar às Bestas que vagueavam pelo exterior, nem sequer se aproximavam daquele local aparentemente desprotegido?


Sem querer pensar em nenhum desses problemas, Lily avançou cautelosamente pelas largas escadas à sua frente. Ao chegar ao topo das escadas tinha agora um corredor à sua frente com uma porta aparentemente normal trancada ao fundo. Lily tentou abrir a porta mas esta não cedeu aos seus esforços. Sem querer usar os seus poderes, para evitar chamar a atenção dos inquilinos, teria de encontrar outra forma de avançar. Alex, Rafa, Miguel e Sara juntaram-se a ela. Miguel ofereceu-se para usar os seus conhecimentos de pirata informático para tentar forçar a abertura da porta, até porque, embora este fosse um mundo diferente, a prisão estava repleta de tecnologia importada dos humanos.
Miguel aproximou-se da porta quando um arrepio o fez tremer de cima a baixo. Alex gritou para que o amigo recuasse, algo a que ele acedeu quase instintivamente. Uma distorção semelhante a um pequeno Buraco Negro apareceu à frente dos jovens e dele surgiu uma figura cuja simples presença os aterrorizava de tão obscura.
Ostentando um longo casaco negro e com um capuz a cobrir a cabeça e a impedir que o seu rosto fosse visto, voltou as costas aos jovens que já se preparavam para o enfrentar e com um pequeno gesto, abriu a porta trancada. Avançou por ela e com uma voz surpreendentemente leve e serena advertiu o grupo que a sua presença já havia sido notada. Tão depressa como apareceu, assim desapareceu.

Ainda confusos com a aparição deste novo personagem, e desconfiados dos seus objectivos ao ajudá-los a avançar, Alex decidiu que deviam avançar rapidamente qualquer que fosse o caso. Se o que a figura tinha dito era verdade, então o efeito-surpresa tinha sido perdido e por isso tinham de encontrar Kaiser com a maior urgência. Entraram por fim pela porta, e à sua frente tinham três novas portas abertas, apontadas em direcções diferentes o que obrigava o grupo a separar-se.
Os jovens preparavam-se para decidir como proceder, mas Lily antecipou-se e dirigiu-se sozinha para a porta mais à direita. Alex tentou chamá-la mas Lily recusou, pois caso as coisas se complicassem ela podia pedir ajuda a Mateus, não que ela fosse precisar, e desapareceu em seguida. Alex e Miguel foram pela porta da esquerda, enquanto Sara e Rafa, este extremamente animado, foram pela porta do meio.


Lily correu rapidamente por entre corredores procurando por vestígios da presença de Kaiser, mas o edifício parecia-se cada vez menos com aquele aspecto imponente, típico da arquitectura do ferro e vidro, que quase a fez esquecer que estava numa prisão, para se tornar mais e mais obscuro e cada vez mais reminiscente da realidade: ela estava numa verdadeira masmorra. A última porta que abriu dava para uma grande sala, uma espécie de auditório, com um grande espaço vazio no centro, onde se concentrava a fraca luz que existia naquele local. Lily sentiu então o seu coração palpitar à medida que uma poderosa presença preenchia a sala.

Alex e Miguel, Sara e Rafa, também eles avançaram até chegarem a salas semelhantes, conhecidas na prisão como os Coliseus. O local é temido por todos os prisioneiros e por isso não se aproximam do local excepto numa situação, quando vão trocar as vidas dos seus camaradas pelas respectivas recompensas.
Tudo porque os demónios que as habitam são predadores insaciáveis, que têm agora uma óptima oportunidade de caçar.


Continua na 4.ª Parte…


Comentários
5 Comentários

5 Comentários :

  1. Room401 disse... :

    Muito bom, quero ver agora a Lily e Mateus a partir tudo!

  1. Denim disse... :

    A história continua em grande e o final promete

  1. Alexandersson disse... :

    Muito fixe como sempre, vamos a essa batalha final!

  1. Leather disse... :

    E fica em suspenso até fim, espero que o melhor ainda esteja para vir.

  1. Mais uma vez muito obrigado pelos comentários, agora é só aguardar mais um bocadinho e curtirem o final que aí vem!

    beijos e/ou abraços

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